Médicos dentistas em Portugal triplicam em 20 anos, mas mercado de trabalho sente pressão

Número de profissionais inscritos na OMD cresceu 174% entre 2005 e 2025, com maior concentração no Porto e Lisboa.

Imagem genérica de instrumentos dentários numa bandeja esterilizada, com foco nos instrumentos e fundo desfocado.
IA

Imagem genérica de instrumentos dentários numa bandeja esterilizada, com foco nos instrumentos e fundo desfocado.

Portugal conta atualmente com 16.571 médicos dentistas inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), mais do triplo de há 20 anos, com 83,7% a terem a sua inscrição ativa.

Entre 2005 e 2025, o número de médicos dentistas com inscrição ativa na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) passou de 5.056 para 13.876, um aumento de 174%. Neste período, a profissão assistiu a profundas transformações, incluindo a predominância do género feminino (de 50% para 63,2%), a internacionalização (32% das novas inscrições em 2025 são de profissionais estrangeiros) e a quadruplicação das inscrições suspensas para exercício da profissão no estrangeiro (de 13,4% para 56,3%).
O estudo “Os Números da Ordem” destaca o desfasamento face às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). No final de 2025, o rácio nacional era de 822 habitantes por médico dentista com inscrição ativa (121,7 por 100 mil habitantes), abaixo dos 1.500 a 2.000 habitantes por profissional recomendados. Este cenário indica uma pressão crescente sobre o mercado de trabalho, agravada pela distribuição desigual dos profissionais pelo território nacional.
Na Área Metropolitana do Porto existe um médico dentista por cada 557 habitantes e na Grande Lisboa por cada 827. Em contrapartida, no Alentejo Litoral o rácio sobe para 2.287 habitantes por profissional e no Baixo Alentejo para 2.028. A análise revela que 43,9% do crescimento líquido de profissionais concentrou-se na Área Metropolitana do Porto e na Grande Lisboa, evidenciando a falta de uma distribuição equilibrada pelo país.
As inscrições suspensas na OMD quase quintuplicaram, de 532 em 2005 para 2.583 em 2025 (crescimento superior a 385%). No último ano, aumentaram 7,3%. O exercício da profissão no estrangeiro continua a ser o principal motivo, abrangendo 1.455 médicos dentistas (56,3%). Considerando os 420 profissionais que indicam ausência do país, 72,6% das suspensões estão associadas à saída de Portugal. França é o principal destino, seguida por Itália, Reino Unido e Espanha.
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"Os números mostram que a medicina dentária mudou profundamente nos últimos 20 anos, mas também que o crescimento do número de profissionais, por si só, não resolve os desafios da profissão. É fundamental assegurar um planeamento adequado da formação e dos recursos humanos em saúde oral, que tenha em conta as necessidades da população, as assimetrias regionais e as condições profissionais. O desafio passa também pela criação de mecanismos de fixação de profissionais, em que o país seja pensado de forma transversal, em termos de coesão territorial. Portugal tem uma disfuncionalidade demográfica e de oportunidades do ponto de vista territorial e que deve ser considerada na forma como estes recursos são distribuídos e integrados no sistema de saúde."

Miguel Pavão · Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas
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"A carreira de medicina dentária no Serviço Nacional de Saúde será um princípio para a fixação de profissionais, mas é preciso mais: um pacto para a saúde oral assente em sinergias entre governos, políticos e dirigentes, planeado sob o ponto de vista geracional. Continuamos a formar profissionais que não encontram espaço no mercado de trabalho e continuamos a ter uma percentagem elevada da população sem acesso aos cuidados de saúde oral."

Miguel Pavão · Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas
O perfil demográfico também mudou: 63,2% dos médicos dentistas ativos são mulheres, proporção que sobe para 73,5% entre os profissionais até aos 35 anos. A média de idades aumentou de 35,8 anos em 2005 para 42 anos em 2025. A internacionalização também cresceu, com profissionais estrangeiros a representar 32% das novas inscrições em 2025, face a 8,5% em 2005.
As projeções até 2029 indicam que Portugal poderá atingir os 15.700 médicos dentistas ativos, com um rácio de 755 habitantes por profissional. A OMD alerta para a necessidade de reflexão sobre a sustentabilidade da profissão e aconselha os candidatos ao curso de medicina dentária a ponderarem as condições de empregabilidade. A Ordem reforça a necessidade de revisão das políticas públicas de ensino e formação pós-graduada.
A edição especial de 2026 de “Os Números da Ordem” assinala os 20 anos do estudo, analisando a evolução da medicina dentária em Portugal e identificando os desafios para o futuro. Os dados, reportados a 31 de dezembro de 2025, refletem a evolução demográfica, formativa e laboral da profissão no país.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Ordem dos Médicos Dentistas (02/11/2026)