A edição de 2026 do STADA Health Report, que analisou as perceções, necessidades e expectativas da população relativamente aos sistemas de saúde em 20 países, com a participação de 19.514 pessoas, foi apresentada recentemente. Este ano, o estudo focou-se na crescente autonomia dos cidadãos e no impacto da Inteligência Artificial (IA) nos cuidados de saúde. O inquérito online foi realizado entre fevereiro e março de 2026, abrangendo participantes entre os 18 e os 99 anos.
A satisfação com o sistema público de saúde em geral, nos 20 países analisados, estabilizou nos 56% em 2026, após uma queda acentuada desde 2020 (74%). Em Portugal, a confiança no sistema público de saúde diminuiu de 58% em 2025 para 54% em 2026, ficando abaixo da média internacional. Observam-se diferenças regionais significativas, com a satisfação a ser mais baixa na Grande Lisboa (40%) e mais elevada no Grande Porto (72%). Os jovens (18-34 anos) são o grupo etário menos satisfeito (51%).
Os principais desafios identificados pelos portugueses incluem a escassez de profissionais de saúde e os longos tempos de espera (79%), o envelhecimento da população e as doenças crónicas (70%), e o aumento dos problemas de saúde mental (57%).
O relatório destaca a confiança nos profissionais de saúde, com os médicos a liderarem a influência nas decisões de saúde dos portugueses (90%), seguidos pelos farmacêuticos (71%). Quase metade dos portugueses (48%) gostaria que as farmácias pudessem renovar receitas de medicamentos para doenças crónicas, e 38% valorizam o funcionamento permanente com consulta farmacêutica.
A nível global, 62% dos inquiridos confiam em farmácias exclusivamente online, especialmente se associadas a uma farmácia licenciada. No entanto, 48% preferem adquirir produtos de saúde de venda livre numa farmácia física. A digitalização e a IA ganham espaço, com 51% dos participantes a admitirem recorrer a aconselhamento por IA em alternativa a uma consulta médica, um aumento face aos 35% de 2025. As principais utilizações incluem a compreensão de diagnósticos (30%) e recomendações de estilos de vida (22%).
Apesar do avanço tecnológico, 40% dos participantes consideram que os profissionais de saúde se tornarão ainda mais importantes como contactos humanos de confiança, reforçando a relevância da relação entre profissionais e cidadãos num sistema de saúde cada vez mais digital.




