Grândola lança Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário de José Afonso

Reunião inaugural definiu bases para um programa que assinalará os 100 anos do nascimento do músico entre maio de 2028 e agosto de 2029.

Imagem simbólica das comemorações do centenário de José Afonso, com microfone vintage e elementos culturais portugueses.
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Imagem simbólica das comemorações do centenário de José Afonso, com microfone vintage e elementos culturais portugueses.

A Câmara Municipal de Grândola deu início à preparação das comemorações do centenário de José Afonso com a reunião inaugural da sua Comissão Municipal, que decorrerá entre maio de 2028 e agosto de 2029.

A vila de Grândola acolheu, a 22 de setembro, a reunião inaugural da Comissão Municipal para as Comemorações do Centenário do Nascimento de José Afonso. O encontro marca o início da preparação de um programa que visa assinalar, de forma plural e abrangente, os 100 anos do nascimento de uma figura proeminente da cultura portuguesa do século XX.
As comemorações estão previstas para decorrer entre 17 de maio de 2028 e 2 de agosto de 2029. Estas datas estabelecem uma ligação simbólica com dois momentos cruciais: 17 de maio, dia em que José Afonso visitou Grândola pela primeira vez em 1964; e 2 de agosto, data de nascimento do autor do icónico poema «Grândola, Vila Morena».
A primeira visita de José Afonso a Grândola, em 17 de maio de 1964, foi um momento marcante. Foi após este primeiro contacto com a vila e a relação estabelecida com os seus habitantes e a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense — Música Velha que José Afonso redigiu a versão inicial do poema «Grândola, Vila Morena». A canção, gravada anos depois, tornou-se um símbolo da resistência à ditadura, tendo sido transmitida pela Rádio Renascença na madrugada de 25 de abril de 1974, o que serviu de sinal para o avanço do Movimento das Forças Armadas e a consequente instauração da democracia em Portugal.
A Comissão integra personalidades com diversos percursos e ligações a José Afonso, com o objetivo de garantir uma abordagem diversificada da sua obra, da sua dimensão artística, do seu pensamento e da sua relação com Grândola e outros territórios.
Fazem parte da Comissão Alcides Bizarro (Chefe da Divisão de Cultura do Município de Grândola), Hélder Costa (dramaturgo, ator e encenador), Arturo Reguera (ligado a José Afonso na Galiza), Dulce Manuel (sobrinha de José da Conceição), Guilherme Lourenço (artista grandolense), Irene Flunser Pimentel (historiadora), João Afonso (músico e sobrinho de José Afonso), José Fortes (técnico de som e produtor musical), Luís Freitas Branco (autor de «A Revolução Antes da Revolução»), Rui Pato (músico), Rui Vieira Nery (musicólogo e historiador), Viriato Teles (jornalista), João Madeira (historiador, em representação da Associação José Afonso) e Adélia Botelho (Presidente da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense).
A presidência da Comissão é assumida por Francisco Fanhais, cantor, compositor e amigo de José Afonso, uma referência da música portuguesa e da resistência à ditadura. A sua presença traz à Comissão uma memória direta de um período crucial da história cultural e política portuguesa.
Na primeira reunião, foram estabelecidas as bases temáticas do programa, prazos e metas de trabalho. Iniciou-se a idealização de uma programação representativa e plural, digna da dimensão de José Afonso e da importância da sua obra na História da Cultura Portuguesa contra a ditadura e em benefício da democracia.
Foram também apresentadas diversas ideias e propostas para o programa, abrangendo áreas como música, investigação histórica, memória, património, criação artística, edição e divulgação, com iniciativas dirigidas a diferentes gerações.
A intenção é envolver a comunidade de Grândola, instituições culturais e educativas, investigadores, artistas e associações, criando momentos de participação e reflexão ao longo do período comemorativo.
A Comissão continuará a reunir nos próximos meses para consolidar um programa que vá além da comemoração, permitindo revisitar a obra de José Afonso, aprofundar o conhecimento sobre o homem e o seu tempo, e discutir o seu legado cultural, artístico, cívico e democrático.
Em Grândola, a vila onde a história de uma canção se cruzou com a história de um país, o centenário de José Afonso será assinalado com base numa relação que começou em 1964, mantendo a vila como um lugar incontornável da memória coletiva.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Câmara Municipal de Grândola (01/10/2026)