A sessão, que contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, foi conduzida por Luís Filipe de Lima Brás, chanceler da Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, e por Carolina Mendes, investigadora da Universidade do Porto. A investigação, promovida pela Confraria no âmbito das comemorações do seu 20.º aniversário, foi desenvolvida pelo Instituto de Imersão Cultural Stay to Talk ao longo de três anos.
O estudo visou reconstruir a história do prato, compreender a evolução das técnicas de confeção e documentar conhecimentos transmitidos entre gerações. Recorreu a pesquisa bibliográfica, análise documental e recolha de testemunhos, incluindo 129 questionários e entrevistas à comunidade e a profissionais da restauração.
Entre os resultados, destaca-se uma referência documental de 1821 a uma confeção semelhante à atual e uma receita de 1894, de Paul Plantier, designada “Arroz à Antiga Portuguesa”, com procedimentos próximos dos utilizados hoje.
A investigação identifica Baião e Marco de Canaveses como epicentro desta tradição, relacionando-a com a atividade pastoril, a Serra da Aboboreira e a importância histórica das feiras e vias de circulação.
O prato, tradicionalmente associado a ocasiões especiais, salienta o papel das mulheres na transmissão das técnicas. Luís Filipe de Lima Brás valoriza a ligação entre gastronomia e memória coletiva, afirmando que o prato representa "uma forma de estar, de receber, de celebrar e de manter vivos os laços que unem uma comunidade às suas origens".
Ana Raquel Azevedo, Presidente da Câmara Municipal de Baião, associou o valor da investigação à transmissão de saberes tradicionais às novas gerações, destacando um showcooking para crianças realizado no dia anterior.
O livro pode ser adquirido junto da Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno, em Marco de Canaveses, e estará brevemente à venda no Posto de Turismo de Baião.




