A distinção foi concedida pelo trabalho na área da síntese orgânica assimétrica, com contributos para a compreensão e o controlo da quiralidade nas reações químicas. "A possibilidade de preparar moléculas quiralmente puras é essencial para conceber fármacos mais seletivos, mais eficazes e com menos efeitos adversos", destacou a docente. O trabalho premiado ajuda a explicar "como pequenas diferenças na organização espacial das moléculas podem ter consequências decisivas na sua interação com os sistemas biológicos".
Alexandra Antunes esclareceu que muitas moléculas são quirais, existindo em duas versões que diferem na organização espacial dos seus átomos, tal como as mãos humanas. No organismo, moléculas fundamentais como aminoácidos e proteínas são homoquirais, existindo apenas numa das formas espelhadas, o que determina as funções biológicas. A dificuldade em reproduzir este processo em laboratório representava um risco significativo, especialmente na síntese de fármacos, onde uma versão pode ser terapêutica e a outra tóxica.
O avanço na síntese orgânica permitiu a obtenção de moléculas homoquirais com catalisadores, um desenvolvimento que ganhou impulso com o Prémio Nobel de 2001. Henri Kagan contribuiu ao mostrar que os catalisadores não precisavam de ser 100% homoquirais, desenvolvendo um modelo matemático para prever este efeito, o que tem grande potencial económico para a indústria farmacêutica. Kenso Soai descobriu uma reação onde o produto guia a seleção e amplifica a preferência por uma das imagens espelhadas, mesmo sem reagentes quirais iniciais, tornando-se um modelo para estudar a origem da homoquiralidade.
Estas descobertas têm impacto na compreensão fundamental da homoquiralidade e na síntese orgânica aplicada. O desenvolvimento de processos mais baratos e sustentáveis para preparar moléculas homoquirais será crucial para a química medicinal, permitindo fármacos mais seletivos e com menos efeitos adversos, além de novos materiais funcionais e métodos de diagnóstico mais precisos. O prémio também reconhece a importância da investigação fundamental em química orgânica.
O trabalho de Alexandra Antunes na área da química medicinal relaciona-se diretamente com as descobertas dos premiados, pois a preparação de moléculas quiralmente puras é essencial para conceber fármacos mais seletivos e eficazes. Centros de investigação em Portugal, como o Técnico, desenvolvem atividade significativa em síntese orgânica e desenvolvimento de fármacos, áreas onde a homoquiralidade é determinante.




