Yann Martel e Michael Cunningham criticam Trump e manipulação eleitoral no FÓLIO

Escritores Yann Martel e Michael Cunningham expressaram preocupação com a administração Trump e a manipulação de eleitores durante o Festival Literário de Óbidos.

Imagem genérica de dois autores a debater num festival literário em Portugal.
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Imagem genérica de dois autores a debater num festival literário em Portugal.

Os escritores Yann Martel e Michael Cunningham criticaram a administração de Donald Trump e a eleição de milhões de eleitores que o apoiaram, durante o painel "Memória", realizado ontem, 16, no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos.

Michael Cunningham, autor de "As Horas", e Yann Martel, autor de "A Vida de Pi", manifestaram o seu descontentamento com a administração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e com os eleitores que o reelegeram. A discussão ocorreu ontem, 16 de outubro de 2026, no festival FÓLIO, em Óbidos.
"Espero que o mundo dure tempo suficiente para isto se tornar uma memória", observou Cunningham.
Questionados sobre as razões que levam mais de 70 milhões de pessoas a votar num homem "incompetente, corrupto e indigno", Cunningham confessou estar "estupefacto e horrorizado" com a situação nos Estados Unidos. "O facto de isto ser a vontade da maioria dos americanos também é preocupante", afirmou, sugerindo que a Inteligência Artificial contribui para a manipulação de eleitores que continuam a apoiar Donald Trump, difundindo ideias como a de que "pessoas de pele escura lhes vão roubar o trabalho".
Yann Martel considerou que "demonizar e insultar" Trump é fácil, mas lembrou que ele foi eleito duas vezes por milhões de eleitores. "Temos de pensar por que votaram nele, tal como votaram antes em Barack Obama. É uma sociedade democrática disfuncional", observou. Martel acrescentou que Trump "fala para as pessoas insatisfeitas, sem emprego ou que trabalham muito, e diz que quer tornar a América grande outra vez, mas está a mentir".
Martel também comentou a disparidade social, mencionando que Elon Musk, o homem mais rico do mundo, apresentou um "carro voador" da Tesla. O escritor expressou o desejo de que o atual vice-presidente, J. D. Vance, não seja eleito após a saída de Trump. "Gostava que tivesse sido uma mulher a ganhar as eleições. Hillary Clinton é muito mais inteligente do que Trump, mas estava mais associada ao sistema. Foi pena não ter sido Bernie Sanders, pois teria deixado os Estados Unidos numa situação melhor", assegurou.
O autor de "A Vida de Pi", obra publicada em 2001, distinguida com o Man Booker Prize e adaptada ao cinema em 2012, explicou que a obra surgiu da pergunta sobre como as pessoas ainda podem acreditar em Deus. "Escrever é sempre para responder a uma questão", disse. Martel, que não teve educação cristã, conheceu Jesus através de "O Velho e o Mar" de Ernest Hemingway. O seu primeiro livro vendeu 800 exemplares, enquanto "A Vida de Pi" vendeu milhões, e ele ama todos os seus quatro filhos igualmente.
Michael Cunningham, vencedor do Prémio Pulitzer de Ficção em 1999 com "As Horas", obra que conta a vida de três mulheres de épocas diferentes ligadas a "Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf, defendeu que "a maior parte dos romances é uma tentativa para registar o tempo, o sentimento, para tentar ir buscar algo que já não existe". "Todos os escritores sentem que falharam no seu íntimo, porque sabem que falta algo, mas importa continuar a escrever sobre tudo."
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Município de Óbidos – Notícias (17/10/2026)