João Costa: "Não há aprendizagem sem sentido de pertença à escola"

Diretor da Agência Europeia defende modelos preventivos e inclusão ativa para o sucesso educativo dos alunos.

Imagem de alunos e professor numa sala de aula portuguesa, focada na inclusão e pertença.
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Imagem de alunos e professor numa sala de aula portuguesa, focada na inclusão e pertença.

O diretor da Agência Europeia para as Necessidades Especiais e a Educação Inclusiva, João Costa, defendeu em Óbidos que o sentido de pertença à escola é fundamental para a aprendizagem, defendendo modelos preventivos e inclusivos.

Na conferência “Educação Inclusiva: passar da flor da pele para a pele de todos”, integrada no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, João Costa sublinhou a importância de criar um sentimento de pertença para que a aprendizagem ocorra. Defendeu também a implementação de modelos preventivos que identifiquem precocemente as dificuldades de cada aluno, em vez de medidas universais.
O responsável pela Agência Europeia para as Necessidades Especiais e a Educação Inclusiva explicou que a entidade pretende recolher experiências de 32 países para promover a partilha de boas práticas. "Encontro em muitas escolas experiências incríveis, mas muitas vezes dependem da boa vontade de um determinado profissional", observou, citando o exemplo de uma professora de História portuguesa que adaptava as suas explicações para alunos com dificuldades.
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"É importante darmos oportunidades de acesso a todos. Não através de um currículo mais fácil, mas que convida cada um de nós a ir o mais longe possível. A pertença e o bem-estar são fundamentais. Não precisamos de ter um modelo médico, nem de pôr uma etiqueta na testa de cada criança, mas de perceber porque é que algumas têm dificuldade em aprender."

João Costa · Diretor da Agência Europeia para as Necessidades Especiais e a Educação Inclusiva
João Costa, que se apoia numa bengala, exemplificou com uma corrida simulada com uma aluna de 12 anos, para ilustrar a importância de dar oportunidades de acesso a todos, focando no potencial individual em vez de simplificar o currículo. Mencionou ainda que desconhecer a língua portuguesa, viver em contexto de violência, ir para a escola com fome ou sofrer bullying são fatores que dificultam a aprendizagem.
O ex-ministro da Educação aconselhou a comunidade educativa a estar atenta a sinais de tristeza ou dificuldade nos alunos, assegurando que "aprendo melhor porque estou bem e estou bem porque aprendo melhor". Apontou a falta de modelos preventivos e o "boom da neurodiversidade" (hiperatividade, défice de atenção, autismo) como causas para as dificuldades de aprendizagem.
Apesar dos avanços, Costa considera que a inclusão está numa fase de "salto", com novos desafios como a desigualdade, pobreza, ciberbullying, clivagem digital, instabilidade económica, insegurança, polarização, alterações climáticas e demográficas.
Foi revelado um documento com os 10 pilares da educação inclusiva: bem-estar e pertença, participação familiar e comunitária, aprendizagem ao longo da vida, formação profissional, inovações curriculares e de avaliação, transformação digital e IA, colaboração intersectorial, governação inclusiva, garantia de qualidade e monitorização, e financiamento.
Recordou ainda uma situação numa escola portuguesa onde, num simulacro de terramoto, uma criança em cadeira de rodas foi "incluída" ao ser deitada debaixo de uma mesa por um colega, contrastando com outra que apenas teve a cadeira virada para ver. "Sempre que incluímos alguém que estava de fora estamos a construir uma sociedade mais livre", concluiu.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Município de Óbidos – Notícias (10/10/2026)