A inclusão escolar é um projeto que vai além da mera receção de todos os alunos, focando-se em garantir que cada um tem o seu lugar e voz, permitindo-lhes progredir. Esta visão foi partilhada por José Santos, diretor do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos (AEJO), na abertura do Seminário Internacional de Educação “A inclusão como projeto de humanidade”, realizado nos dias 10 e 11 de outubro na Praça da Criatividade, em Óbidos, como parte do FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos.
José Santos enfatizou que a verdadeira inclusão começa na forma como olhamos e escutamos o outro, na disponibilidade para compreender o desconhecido e no reconhecimento de que as diferenças individuais não devem diminuir o valor de ninguém. "Incluir exige tempo, disponibilidade, conhecimento, recursos e, acima de tudo, uma enorme capacidade de nos colocarmos no lugar do outro", declarou.
O diretor defende que a educação inclusiva deve capacitar os alunos a construir um mundo onde a existência de cada um seja inquestionável. Mencionou que o presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel, partilha este entusiasmo pela educação e inclusão, sublinhando que em Óbidos a educação é vista como uma dimensão central para o desenvolvimento do território, e não apenas como um serviço a ser assegurado.
José Santos expressou a esperança de que os alunos se lembrem daqueles que acreditaram neles, ofereceram segundas oportunidades e compreenderam as suas histórias, em vez de desistirem. "Isso sim, é educação", concluiu.
Filipe Daniel, por sua vez, explicou que o seminário nasceu da convicção de que a escola precisa de recuperar a sua humanidade, num tempo marcado pela tensão entre a tecnologia e a urgência humana, e pela aceleração do mundo versus a necessidade de espaços de encontro. "A inclusão, entendida como projeto de humanidade, é precisamente o lugar onde estas tensões se tornam férteis", observou.
O tema do FÓLIO deste ano, “Para além da pele”, convida a olhar para além das aparências e rótulos, promovendo um mergulho no essencial das relações humanas e da comunidade educativa. Filipe Daniel salientou que Óbidos celebra não só a literatura, mas também a humanidade, considerando a educação um ato profundamente humano de cuidado e presença.
Cristina Santos, diretora do Centro de Formação das Associações de Escolas Centro-Oeste, elogiou o município de Óbidos por estar "na linha da frente" e disponível para colaborar na área da educação desde a transferência de competências para as autarquias. "Quando as instituições conseguem trabalhar de forma alinhada, quem está no terreno sente a sua vida mais facilitada", afirmou, destacando o desafio de transformar a diversidade em igualdade.
Cristina Santos detalhou que a formação contínua abrange espaços de reflexão e debate sobre inclusão, focados na responsabilidade individual, e capacitação técnica. Mencionou como exemplos o acolhimento a imigrantes e a superação da barreira linguística através de aulas de Português Língua Não Materna, ressaltando que as parcerias facilitam a articulação de respostas.




