O encontro “Energia e igualdade de género: políticas para uma transição justa”, promovido pela ADENE e pela CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, decorreu a 5 de novembro. A iniciativa juntou representantes de entidades públicas, empresas, academia e organizações da sociedade civil para discutir a intersecção entre energia, igualdade de género e inclusão.
Na sessão de abertura, Vasco Marques Pinto, do El Corte Inglés, deu as boas-vindas, seguido por Carina Quaresma, Presidente da CIG. Quaresma salientou a importância de integrar as preocupações de igualdade de género no planeamento das políticas públicas como condição para uma transição energética mais justa.
Durante a manhã, foram abordadas várias dimensões desta relação. Na sessão “Energia, pobreza energética e género, dados e desafios emergentes”, Ana Margarida Vales (ADENE) e Carla Bernardo (CIG) apresentaram dados que indicam um maior risco de pobreza energética entre mulheres com mais de 65 anos (45%), que sobe para 51% em mães solteiras com filhos. Foi também referido que apenas 2 a 11 euros de cada 100 euros de ajuda ao desenvolvimento para energia são destinados a projetos com foco na igualdade de género.
A representação de género no setor energético foi analisada por Tiago Marques (ADENE), que revelou que as mulheres constituem 23% dos profissionais da área.
Uma mesa-redonda sobre “Planeamento de um futuro energético inclusivo”, moderada por Marina Alves (ADENE), contou com a participação de Islene Façanha (ZERO), Luísa Schmidt (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa), Maria João Melo (Helexia – Descarbonizar a Indústria para a Sustentabilidade) e Susana Escária (Agência para o Clima, I.P.).
Cinco ideias-chave emergiram do debate: a desigualdade não é marginal no setor energético; a falta de dados torna parte do problema invisível; a perspetiva de género deve ser integrada em todo o ciclo das políticas públicas; é necessário alargar a base de talento no setor; e a concretização destas medidas requer compromisso político estável, recursos, cooperação entre as áreas da energia, igualdade, emprego e estatística, metas claras e responsabilização.
A partilha de experiências incluiu apresentações de boas práticas por Alice Khouri (Women in ESG), Carla Castelo (Coopérnico), Raquel Mendes (EDP), Ana Sousa (Mulheres na Energia) e Cláudia Horta Ferreira (ADENE).
Nelson Lage, Presidente da ADENE, defendeu no encerramento que energia e igualdade não podem ser tratadas separadamente, sublinhando a importância de integrar a perspetiva de género nas políticas públicas, reforçar a participação feminina no setor energético e promover maior igualdade nas posições de decisão. Reafirmou o compromisso da ADENE com esta agenda, considerando que a transição energética só será bem-sucedida se for “descarbonizada, competitiva e justa”.
O encontro reforçou a necessidade de integrar a perspetiva de género nas políticas e estratégicas de energia, reconhecendo que uma transição energética justa deve considerar as diferentes realidades e necessidades das pessoas e promover a igualdade de oportunidades.




