O XV Congresso da UGT iniciou-se este sábado na Figueira da Foz, com um forte apelo à valorização do trabalho, à defesa dos direitos laborais e ao reforço da concertação social. A Inteligência Artificial (IA) e os seus desafios para o mercado de trabalho foram temas centrais nas intervenções da ministra do Trabalho e dos líderes sindicais presentes.
O evento, que decorre até domingo, 11 de outubro, sob o lema «Juntos por um Futuro mais Justo», reúne na cidade dirigentes sindicais e representantes institucionais. O objetivo é debater os desafios atuais do mundo do trabalho e traçar as principais linhas de orientação e a estratégia sindical da UGT para o mandato 2026-2030.
Na sessão de abertura, a presidente da UGT, Lucinda Dâmaso, agradeceu o apoio do município da Figueira da Foz e sublinhou o papel da central sindical como um «forte pilar da democracia», baseado no pluralismo e na liberdade. Evocou também figuras históricas como Mário Soares e Francisco Sá Carneiro, ressaltando os princípios que a UGT procura preservar.
Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, expressou a honra de receber o congresso no Centro de Artes e Espetáculos (CAE), equipamento cultural que considerou vital para a afirmação da cidade. Destacou o percurso de dirigentes sindicais e elogiou a independência e liberdade de pensamento da UGT, reconhecendo a sua capacidade de apoiar medidas positivas de governos, mas também de defender firmemente os direitos dos trabalhadores.
Santana Lopes defendeu ainda uma estratégia de desenvolvimento para a Figueira da Foz que vá além do turismo, apontando a investigação científica, as ciências do mar, o ambiente e o estudo das correntes marítimas como áreas cruciais para a competitividade do concelho. Mencionou especificamente o centro de investigação dedicado às correntes marítimas e alterações climáticas, assim como a atividade académica do campus da Universidade de Coimbra.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, enfatizou a importância do diálogo e do compromisso na construção democrática, através da negociação entre interesses diversos para o bem coletivo. Reconheceu o papel histórico da UGT na concertação social, mesmo em períodos de crise como a intervenção da Troika.
A ministra alertou para o impacto transformador da Inteligência Artificial no mercado de trabalho e nas relações laborais. Embora reconheça o potencial produtivo da IA, advertiu para o risco de substituição de funções humanas e a necessidade de preparar trabalhadores e empresas para esta transição. Estima-se que seis em cada dez trabalhadores possam necessitar de requalificação, tornando a formação uma prioridade. A ministra garantiu a disponibilidade do Governo para negociar com os parceiros sociais e evitar que Portugal fique despreparado para a transformação digital.
Na sessão de encerramento, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, apelou a que o Governo e as organizações empresariais sejam vistos como parceiros, e não adversários, na melhoria das condições de vida e trabalho. Sublinhou a união da central sindical e reafirmou as prioridades: valorizar o trabalho, reforçar direitos e construir o futuro.
Mourão defendeu que o crescimento económico deve traduzir-se em melhores salários, emprego de qualidade e redução das desigualdades. Lançou um apelo direto ao primeiro-ministro para rever o acordo sobre salários e rendimentos, e defendeu que a concertação social deve ser um espaço de decisão e negociação, não apenas de consulta. "A concertação social não pode ser silêncio", afirmou, reclamando uma UGT forte e determinada.
A sessão de abertura incluiu um momento cultural com Joana Vilarinho e uma homenagem a dirigentes e sindicalistas falecidos. Foram também transmitidas mensagens de organizações sindicais internacionais, com o representante espanhol a expressar admiração pelo trabalho da UGT.




