IA Camp 2026: Governo, autarquias e empresas debatem IA para modernizar serviços públicos

Primeira edição do evento em Carregal do Sal focou-se no potencial da Inteligência Artificial para melhorar a resposta aos cidadãos e simplificar procedimentos.

Imagem genérica de representação abstrata de inteligência artificial e administração pública, com elementos arquitetónicos portugueses.
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Imagem genérica de representação abstrata de inteligência artificial e administração pública, com elementos arquitetónicos portugueses.

A primeira edição do IA Camp, realizada em Carregal do Sal nos dias 13 e 14 de outubro de 2026, concluiu com um debate sobre o potencial da Inteligência Artificial (IA) para modernizar os serviços públicos e melhorar a resposta aos cidadãos.

O evento, promovido pela Câmara Municipal de Carregal do Sal em parceria com a Associação Observatório das Autarquias Locais e a Skilltech, contou com a presença de representantes institucionais, especialistas e profissionais. O principal destaque foi o anúncio, pelo Governo, de um programa de formação em IA para a Administração Pública, com início previsto para dezembro, integrado na Agenda Nacional de Inteligência Artificial.
Na sessão de abertura, o Secretário de Estado para a Simplificação, Paulo Magro da Luz, revelou que o programa de formação, desenvolvido em colaboração com o Instituto Nacional de Administração (INA), deverá abranger cerca de 2,8 milhões de portugueses. O governante enfatizou a simplificação, digitalização e articulação como eixos da reforma do Estado.
Ao longo dos dois dias, o IA Camp abordou a aplicação prática da IA no setor público. Foi apresentada a DINA, uma operadora digital do Município de Carregal do Sal em parceria com a Synertia, capaz de resolver autonomamente metade das questões recebidas. A plataforma Datalink, da Safeminds, demonstrou como a IA pode apoiar a gestão de contratos públicos e identificar tarefas pendentes.
Izabel Azevedo, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, sintetizou o princípio central do encontro: “a tecnologia deve servir as pessoas e não substituir as pessoas”, sublinhando a importância de preservar a proximidade dos serviços públicos.
Uma masterclass conduzida por Rita, da Visor AI, focou-se na capacitação de trabalhadores e na identificação de oportunidades de automatização, incentivando uma adoção da tecnologia baseada em necessidades concretas.
O segundo dia incluiu um debate sobre o Regulamento Europeu da Inteligência Artificial (AI Act), com a participação da Drª Susana Rios de Oliveira (UinLegal Partners), do Professor Dr. José Silva Lopes, de João Andrade (Skilltech) e de Paulo Vieira (Netskope). Abordaram-se obrigações das entidades públicas, proteção de dados e supervisão humana.
João Andrade alertou para a necessidade de as organizações identificarem os sistemas de IA que já utilizam, defendendo que a preparação não deve esperar pelos prazos de aplicação das novas regras europeias. José Silva Lopes salientou a importância do conhecimento efetivo dos sistemas para a supervisão humana.
Os participantes identificaram cinco passos essenciais para uma utilização responsável da IA: inventariar, classificar, regular, formar e registar, visando assegurar controlo, segurança e transparência.
O programa incluiu ainda uma prova de vinhos do Dão com sete produtores e a apresentação da UVI, uma figura virtual para acesso à biblioteca digital municipal, reforçando a ligação entre inovação e identidade local.
Bartolomeu Noronha, do Observatório das Autarquias Locais, encerrou o evento, destacando a importância do contacto direto com os profissionais e o propósito de dar continuidade à partilha de conhecimento sobre a utilização da IA nos serviços públicos.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Câmara Municipal de Carregal do Sal (15/10/2026)