Nova ninfa de inseto fóssil de 298 milhões de anos descoberta em Portugal

Achado em xistos do Carbonífero na mina da Paraduça, o espécime apresenta semelhanças com libélulas atuais e levanta novas hipóteses sobre a evolução dos insetos.

Imagem genérica de um fóssil de ninfa de inseto com pernas visíveis, preservado em moldes.
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Imagem genérica de um fóssil de ninfa de inseto com pernas visíveis, preservado em moldes.

Uma equipa internacional, com investigadores da Universidade do Porto, publicou a descoberta de uma nova ninfa de inseto fóssil com cerca de 298 milhões de anos, encontrada em xistos do Carbonífero Superior na mina da Paraduça, em Pejão, na Bacia Carbonífera do Douro.

O fóssil, descoberto por Sara Silva, doutorada em Geociências pela FCUP, foi encontrado durante uma exploração de carvão a céu aberto. A jovem investigadora colaborou com Helena Couto, professora jubilada da FCUP e especialista em fósseis, para identificar a espécie.
“As ninfas de insetos do Carbonífero são bastante raras”, explicou Helena Couto. “São difíceis de atribuir a grupos específicos de organismos que têm um ancestral comum, que são geralmente definidos com base nos fósseis de insetos adultos”, acrescentou.
O espécime preservado em dois moldes externos, com cerca de 10 mm de comprimento, apresenta semelhanças morfológicas com as ninfas das libélulas atuais, incluindo um abdómen volumoso e grandes pernas posteriores orientadas anteriormente, sugerindo um possível modo de vida aquático. A ausência de asas indica que se trata de uma ninfa jovem.
A descoberta, publicada na revista científica Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie, não corresponde a nenhuma ninfa paleozoica conhecida. As características morfológicas levaram os investigadores a duas hipóteses: uma maior afinidade com as ninfas da ordem extinta Paoliida, devido aos cercos curtos, fémures alongados e robustos e abdómen alongado; ou semelhanças com a ordem Plecoptera, conhecida desde o Pensilvaniano, pela posição relativa das pernas posteriores.
O trabalho conta ainda com a colaboração de Torsten Wappler, paleontólogo e entomólogo da Universidade de Bonn, e André Nel, entomólogo do Museu Nacional de História Natural, CNRS, Universidade de Sorbonne, Paris.
Os investigadores esperam agora encontrar um espécime mais bem preservado que permita uma identificação mais precisa, observando as estruturas da cabeça e os primórdios das asas.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Noticias UP - Universidade do Porto (15/10/2026)