O projeto "Luz da Tapada", resultado de uma colaboração com a GALP, explora a temática do agrivoltaico aplicado à vinha, testando a conciliação da produção vitícola e energética no mesmo terreno. Foram instaladas parcelas-piloto com castas brancas, como Viosinho e Encruzado, na vinha da Tapada do Instituto.
Os resultados preliminares indicam uma redução da radiação solar e das temperaturas foliares, bem como uma diminuição do escaldão dos cachos. Estas alterações no microclima da vinha traduzem-se em vantagens significativas para a resiliência às alterações climáticas, nomeadamente na redução do stress hídrico e térmico, associado à produção de energia verde.
A vindima sob os painéis, que em 2025 ocorreu dias mais tarde do que na parcela de controlo, demonstra um atraso na maturação. Este efeito, ao contrariar a antecipação das vindimas causada pelas alterações climáticas, permite maturações mais lentas e a colheita em períodos de temperaturas mais baixas, o que pode beneficiar a composição da uva e a logística de colheita e vinificação.
As uvas do "Luz da Tapada" desenvolvem-se sob condições microclimáticas diferentes das vinhas convencionais, beneficiando da proteção dos painéis. Este sombreamento pode resultar numa maturação mais longa e diferenciada, conferindo ao vinho características distintas, como maior frescura e potencial aromático.
O Instituto Superior de Agronomia (ISA), com a sua longa tradição em investigação vitivinícola, pretende com este projeto responder às questões sobre os impactos do agrivoltaico no vigor da videira, na produção e na qualidade da uva e do vinho, auxiliando potenciais utilizadores na tomada de decisão sobre a adoção desta tecnologia.




