Portugal: Desafios na Implementação de Políticas de Prevenção em Saúde

Estudo da ENSP NOVA revela que, apesar de políticas consolidadas, a transição para a ação efetiva e equitativa é o principal obstáculo.

Imagem genérica de uma bandeira portuguesa com um edifício ao fundo.
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Imagem genérica de uma bandeira portuguesa com um edifício ao fundo.

Portugal enfrenta desafios significativos na implementação efetiva de políticas de prevenção em saúde, apesar de ter estratégias consolidadas. Um estudo da ENSP NOVA, apresentado na CNN Portugal Summit, revela que apenas 40,9% das políticas avaliadas apresentam níveis elevados de implementação.

Um projeto de investigação da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) e do NOVA Center for Global Health (NCGH) da NOVA Information Management School (NOVA IMS), intitulado +Prevenção, destacou as dificuldades de Portugal em traduzir conhecimento e estratégias em ações concretas e mensuráveis na área da prevenção em saúde. Os resultados foram apresentados na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa.
O European Health Prevention Index (EHPI), que avaliou 22 políticas prioritárias em 11 países europeus, atribuiu a Portugal uma pontuação de 55,3 em 100, ligeiramente abaixo da média europeia de 55,6, colocando o país na 7.ª posição. Contudo, a análise revela que apenas 40,9% das políticas apresentam um alto nível de implementação.
Embora Portugal demonstre resultados positivos em Imunização e Rastreio, existem oportunidades de melhoria, especialmente na vacinação ao longo da vida e na redução das desigualdades de acesso. Áreas como a Educação para a Saúde, Literacia em Saúde e a aplicação de Dados e Inteligência Artificial apresentam níveis de implementação mais baixos.
Sónia Dias, diretora da ENSP NOVA, enfatizou a necessidade de uma mudança de paradigma no sistema de saúde, focando não apenas na resposta à doença, mas na produção de saúde e na antecipação de riscos. "O desafio já não é apenas saber o que funciona: é conseguir passar à ação e implementar melhor, avaliar o impacto que estamos efetivamente a produzir e medir não apenas a despesa, mas o acesso, a equidade, os resultados e o retorno do investimento", afirmou.
Em 2023, os cuidados preventivos representaram apenas 2,3% da despesa corrente em saúde em Portugal, abaixo da média europeia de 3,7%. Especialistas consultados indicam que este valor está subestimado, pois parte da atividade preventiva ocorre fora do setor da saúde ou está integrada na prestação habitual de cuidados.
A prevenção exige uma abordagem intersetorial, envolvendo áreas como educação, ambiente, habitação e proteção social. "Investir na prevenção é criar condições para se viver mais e melhor, com maior autonomia, qualidade de vida e bem-estar", acrescentou Sónia Dias, sublinhando que deve ser vista como um investimento estratégico e não como uma despesa.
Os investigadores recomendam que Portugal adote uma lógica de investimento e valor, relacionando os recursos aplicados com indicadores de acesso, cobertura, equidade e retorno do investimento. A melhoria dos sistemas de informação e monitorização é crucial para avaliar o impacto das ações preventivas.
O projeto +Prevenção visa aproximar a produção de conhecimento da decisão e da prática, transformando evidências em instrumentos úteis para a tomada de decisão e avaliação de políticas públicas. A ENSP NOVA pretende continuar a posicionar-se nesta interface entre investigação, políticas públicas e prática.
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"A academia não deve limitar-se a produzir evidência. Tem também a responsabilidade de a transformar em instrumentos úteis para a decisão, apoiar a implementação, avaliar o que funciona, em que contextos, e medir o seu impacto."

Sónia Dias · Diretora da ENSP NOVA
O projeto +Prevenção é uma iniciativa da ENSP NOVA e do NOVA Center for Global Health da NOVA IMS, focada em reforçar a prevenção como prioridade nas políticas de saúde. Inclui uma Framework de Políticas Públicas de Prevenção, o European Health Prevention Index e uma análise do Enquadramento Económico da Despesa em Prevenção em Portugal.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: ENSP-NOVA - Escola Nacional de Saúde Pública (12/10/2026)