No dia 6 de outubro, assinala-se o Dia da Pessoa com Ostomia. A Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora/Sintra realça o papel de todos os profissionais que acompanham os utentes ostomizados e de todas as pessoas e famílias que depositam a sua confiança nas suas equipas para viver melhor com esta condição.
A ULS Amadora/Sintra dispõe de uma Consulta de Enfermagem de Estomaterapia desde 2011, com uma equipa de vasta experiência e formação diferenciada, que acompanha a pessoa com ostomia desde o diagnóstico até à reintegração no quotidiano.
A intervenção da equipa de enfermagem é crucial em todas as fases. Antes da cirurgia, a consulta pré-operatória facilita a adaptação posterior, permitindo informar, esclarecer dúvidas e iniciar a preparação emocional. A marcação prévia do local do estoma pela equipa traduz-se em menos complicações e melhor adaptação aos dispositivos.
Depois da cirurgia, na primeira consulta pós-alta, a equipa avalia a pessoa, o estoma e a pele peri-estoma, dando continuidade a um ensino progressivo que envolve o cuidador familiar. No seguimento, reavalia-se o autocuidado, ajusta-se o dispositivo e respondem-se a novas necessidades.
A continuidade de cuidados é assegurada através da referenciação para os cuidados de saúde primários, preparada com a pessoa e articulada com a Consulta de Enfermagem de Estomaterapia dos cuidados de saúde primários da Amadora.
Estima-se que existam entre 800 a 900 pessoas com ostomia na área da ULS Amadora/Sintra. Anualmente, 150 a 200 pessoas são submetidas a uma ostomia de eliminação (intestinal ou urinária), e cerca de 500 pessoas são atualmente acompanhadas pela equipa de Enfermagem de Estomaterapia.
Ser submetido a uma ostomia é um acontecimento de vida com impacto profundo na integridade física, imagem corporal e papéis psicossociais. É uma transição saúde-doença que exige novos conhecimentos, competências e um ajuste em todas as dimensões da vida.
A palavra 'estoma' vem do grego 'stoma', que significa abertura ou boca. Ter um estoma significa que foi criada cirurgicamente uma abertura para uma função vital: respirar (traqueostomia), alimentar-se (gastrostomia), urinar (urostomia ou nefrostomia) ou defecar (ileostomia ou colostomia). Os cuidados variam com o tipo de ostomia, sendo necessários conhecimentos e competências práticas específicas.
Na ULS Amadora/Sintra, as ostomias de eliminação são as mais frequentes, mas os cuidados abrangem também as de alimentação e respiratórias. A maioria das ostomias de eliminação é reversível. Para muitas pessoas, a ostomia representa uma segunda oportunidade, e com o tempo, a maioria adapta-se, resultando em verdadeiras histórias de superação.
Os cuidados de enfermagem diferenciados traduzem-se em ganhos mensuráveis como mais autonomia, menos complicações e melhor qualidade de vida. Têm também impacto económico, reduzindo idas à urgência, reinternamentos e o consumo desnecessário de dispositivos médicos.
Para assinalar a data, a equipa apresentou um quadro feito com dispositivos de ostomia. Cada 'saco' representa uma pessoa real acompanhada na consulta, com uma frase retirada de uma conversa. A pergunta 'Eu também. E tu?' lembra que a ostomia não define a pessoa, que gosta de viver como qualquer outra.




