O desafio de promover a renaturalização e valorização ambiental das linhas de água, conforme exigido pela Diretiva Quadro da Água e pela Lei da Água, tem sido respondido pelo Município de Pombal através do Plano Estratégico de Reabilitação das Linhas de Água (PERLA). Este plano caracteriza o estado atual das linhas de água do concelho e propõe ações para a sua reabilitação.
Entre 2022 e 2024, o rio Arunca passou por um processo de regeneração natural. Numa segunda etapa, entre 2024 e 2025, foi implementado um projeto de estabilização, renaturalização e melhoria integrada das margens e do leito do rio Arunca e do troço final do rio Cabrunca, num total de cerca de 30,5 km. Esta intervenção, financiada pelo Fundo Ambiental com 520 mil euros e abrangendo 97 hectares, incluiu o plantio de 15.690 árvores e arbustos autóctones, como o salgueiro, o amieiro, o freixo e o carvalho. O processo resultou no aumento da biodiversidade e na melhoria da qualidade da água, com as plantas autóctones a contribuírem para a filtração de poluentes e a manutenção de temperaturas mais baixas.
Espécies como a Tábua-larga e o Lírio-amarelo-dos-Pântanos, encontradas no leito do rio Arunca, são conhecidas por absorverem metais pesados e poluentes. O aparecimento de fauna sensível à qualidade ambiental, como a lontra, o goraz, o guarda-rios e o borrelho-pequeno-de-coleira, é um indicador de melhoria. Em 2026, está em curso um plano de gestão ativa anual, com limpezas, controlo de vegetação invasora e monitorização.
Atualmente, decorrem trabalhos de desobstrução e regularização do leito e margens no Corredor Urbano do Rio Arunca, na travessia da cidade, em resposta às intempéries do início do ano. O objetivo é melhorar o escoamento das águas, reduzir riscos de cheia e salvaguardar pessoas e bens. Os trabalhos incluem a remoção de resíduos, o corte seletivo de vegetação e a gestão da vegetação ripícola e sedimentos nas margens.
Os resultados atingidos incluem a melhoria da qualidade da água e das condições de suporte à biodiversidade. A longo prazo, esperam-se a recuperação da galeria ripícola, a estabilização das margens, a recuperação da conetividade fluvial, a garantia do escoamento e a prevenção de cheias.
A renaturalização visa fomentar a biodiversidade, melhorar a qualidade da água e prevenir riscos de cheias. A criação de corredores verdes devolve o rio à comunidade para usufruto. O Município tem optado por não instalar comportas, alinhando-se com a estratégia de renaturalização e adaptação às alterações climáticas, evitando a estagnação da água e a eutrofização.




