Óbidos quer literatura como força transformadora do território

Município cria Conselho Estratégico da Literatura e do Conhecimento para integrar a área nas políticas públicas.

Imagem genérica de uma praça portuguesa com arquitetura tradicional e iluminação de fim de tarde.
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Imagem genérica de uma praça portuguesa com arquitetura tradicional e iluminação de fim de tarde.

O Município de Óbidos ambiciona transformar a literatura numa política pública estruturante, com a criação do Conselho Estratégico da Literatura e do Conhecimento, composto por escritores de renome.

Onze anos após a criação do FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, o atual executivo municipal pretende elevar a literatura a uma força transformadora do território. O objetivo é integrá-la como uma política pública estruturante, capaz de impulsionar o desenvolvimento em diversas áreas. Como primeiro passo, foi criado o Conselho Estratégico da Literatura e do Conhecimento, que conta com a participação de escritores como Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa, José Luís Peixoto, Mia Couto, Pedro Freitas, Pilar del Río, Tatiana Salem Levy e Valter Hugo Mãe.
Ricardo Duque, vereador da Cultura, destacou a visão de Óbidos: “Durante muito tempo, a cultura foi tratada como um complemento das políticas públicas. Em Óbidos, queremos desafiar essa visão. Acreditamos que a literatura pode ser uma política pública estruturante, capaz de transformar a educação, favorecer a democracia, gerar desenvolvimento económico e criar novas oportunidades para os territórios. Não queremos apenas ser uma vila onde acontecem festivais literários. Queremos ser um território onde a literatura influencia a forma como pensamos, decidimos e governamos”.
O Conselho Estratégico, composto por personalidades com “percurso, idoneidade e experiência”, terá como objetivos consolidar a programação de eventos e definir a integração da literatura como política pública em todas as áreas de atuação do município, garantindo “independência crítica”.
Duque assegurou que a autarquia sempre deu “total liberdade” aos curadores, sem “lápis azul ou carga ideológica” na programação. A estratégia inclui a internacionalização, a valorização da língua portuguesa em parceria com países lusófonos, a colaboração com a academia, a aliança com a tecnologia e a formação de novos públicos em articulação com as escolas, sublinhando a importância do contacto precoce com a literatura.
O vereador recordou a ambição partilhada com o então presidente Telmo Faria de combater o analfabetismo e incutir o gosto pela leitura, transformando Óbidos num “espaço de conexão” e não apenas um local de eventos. A literatura, defendeu, pode moldar o futuro de um território.
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"As muralhas de Óbidos não são para se defender, são para comunicar, para caminhar até chegar a outros lugares. Acho uma ideia extraordinária pensar neste lugar com tanta memória, que deve ser também um lugar de responsabilidade."

Pilar Del Río · Escritora, jornalista e tradutora
Pilar Del Río enfatizou que a literatura, o amor e a responsabilidade são cruciais para a liberdade e a democracia, especialmente num tempo de ascensão de populismos e superficialidade no debate público. José Luís Peixoto, curador do festival Latitudes, corroborou a importância da literatura e cultura para o desenvolvimento territorial e pessoal, elogiando a visão do município em enriquecer Óbidos através de um trabalho literário profundo.
Pedro Freitas, o Poeta da Cidade, propôs um passe mensal de 100 euros para jovens de 15 anos, a ser gasto exclusivamente em cultura, como medida para transformar Óbidos nos próximos 10 anos. Defendeu que as novas plataformas digitais são o futuro e que as entidades públicas devem dialogar com os jovens nesse meio.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Município de Óbidos – Notícias (14/10/2026)