Prémio Nacional de Ilustração exclui BD após criar distinção própria

A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) vai retirar a categoria de Banda Desenhada do prémio após a criação de uma distinção específica para a arte.

Imagem genérica de uma pilha de livros ilustrados sobre uma mesa de madeira, com luz natural suave.
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Imagem genérica de uma pilha de livros ilustrados sobre uma mesa de madeira, com luz natural suave.

A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) vai excluir a categoria de Banda Desenhada (BD) do Prémio Nacional de Ilustração, após 30 anos, devido à criação de um prémio específico para esta arte.

A decisão foi anunciada por Sara Ludovico, da DGLAB, durante uma conversa com ilustradores, designers gráficos e editores no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos. Ludovico admitiu também a possibilidade de divulgar as listas de autores concorrentes, indicadas pelas editoras.
Dora Batalim, ex-elemento de um júri, explicou que as obras enviadas pelas editoras são avaliadas por cada jurado com critérios próprios, sublinhando a dificuldade em abstrair-se do trabalho gráfico e da narrativa. "O que vos asseguro é que não há cotas, do género: este nunca ganhou", garantiu.
Adélia Carvalho, da editora Tcharan, expressou frustração pela falta de diversidade editorial nos prémios, afirmando que "há tantas editoras com trabalhos bons, e parece que entregam os prémios sempre às mesmas". Sara Ludovico respondeu que "a comparação é entre os livros, e não entre as editoras".
Jorge Silva, designer de comunicação e moderador da conversa, recordou um caso de 2017 onde o artista João Fazenda, "um crónico vencedor de prémios", foi premiado apesar de essa condição ter sido ponderada. Confirmou não ter sentido pressão da DGLAB.
Em resposta a questões sobre regulação, Sara Ludovico mostrou-se desfavorável a "introduzir fatores que possam condicionar o júri", mas concordou com a ideia de tornar públicas as listas de autores a concurso.
Bruno Eiras, subdiretor-geral da DGLAB, observou que a repetição de vencedores "diz muito mais de nós como sociedade" e garantiu a independência do júri, que roda anualmente. Dora Batalim confirmou a ausência de conhecimento prévio entre os jurados.
João Fazenda destacou a importância do reconhecimento para "dar alento" aos ilustradores, cujos trabalhos são "pouco compreendidos e com poucos meios". Inês Viegas de Oliveira acrescentou que o objetivo principal é chegar ao leitor e que o valor monetário permite liberdade criativa.
Fazenda sublinhou que os livros premiados frequentemente primam pela "liberdade de ilustração" e que as editoras têm responsabilidade na "aparência mais conservadora" de alguns trabalhos, influenciando o resultado final.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Município de Óbidos – Notícias (20/10/2026)