O FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos foi o palco onde quatro dos vencedores do Prémio Nacional de Banda Desenhada (BD) partilharam as suas perspetivas sobre a importância desta arte. O galardão, atribuído pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, distinguiu este ano, pela primeira vez, António Jorge Gonçalves com o Prémio Carreira. O Prémio Obra do Ano foi entregue a Luís Moreira Gonçalves e a Felipe Parcci pela obra “Dormindo entre cadáveres”, enquanto o Prémio Inovação reconheceu Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa, Hugo Soares e Diogo Jesus pelo trabalho “Rumo ao eclipse”.
António Jorge Gonçalves expressou a sua satisfação com o reconhecimento institucional, sublinhando que, embora a arte não seja inerentemente competitiva, um prémio confere visibilidade e validação ao trabalho. "Não se trata de dizer que uma arte é mais importante do que a outra, mas de dizer que ela existe e que merece ser vista", afirmou. O autor destacou ainda a importância de obras como "Dita Dor", que aborda a sua infância durante a ditadura, como um meio de reflexão histórica e social para futuras gerações, alertando para a tentação constante do totalitarismo.
Em contraste com a visão de que a BD não é levada a sério, Luís Moreira, vencedor do Prémio Obra do Ano, recordou discussões sérias sobre vinhetas da Mafalda na sua infância e salientou que a evolução dos trabalhos tem permitido à BD ocupar novos espaços, sendo agora tratada como literatura. A obra premiada, "Dormindo entre cadáveres", tem sido bem recebida neste contexto.
Ana Matilde Sousa, ilustradora de "Rumo ao eclipse", uma narrativa gráfica bilingue integrada num projeto de comunicação de ciência de 2019, mencionou o uso frequente da BD na divulgação científica. A obra, expandida em 2023, recebeu reconhecimento internacional e propõe uma experiência de role play onde os jogadores tentam chegar à Ilha do Príncipe para observar um eclipse. André Nóvoa, designer de jogos analógicos, materializou esta ideia, reforçando a perceção crescente da BD e dos jogos como expressões artísticas capazes de expandir narrativas, um percurso que este prémio ajuda a consolidar.




