A edição de 2027 do FÓLIO, que decorre em Óbidos, irá explorar a relação entre realidade, aparências, narrativa e o poder da palavra, inspirada no pensamento e legado de Nicolau Maquiavel. O festival pretende colocar a literatura no centro das questões sobre quem conta as histórias, que vozes são ouvidas e que experiências permanecem por contar.
Num contexto marcado pela influência das plataformas digitais e da inteligência artificial sobre a informação, o FÓLIO 2027 convida à reflexão sobre a responsabilidade das palavras, a diversidade de perspetivas e a importância de uma leitura crítica do mundo. "Contar é narrar. Mas contar é também ter importância, ser reconhecido, ter lugar", afirmou Filipe Daniel, apresentando o tema como um convite a escutar quem escreve o mundo e quem ainda procura espaço para fazer ouvir a sua voz.
Óbidos renova o seu compromisso com este projeto cultural, que desde a sua afirmação como Cidade Criativa da Literatura da UNESCO, em 2015, tem vindo a consolidar a literatura como dimensão estratégica da política cultural do concelho. O autarca Filipe Daniel evocou igualmente José Pinho, recordando o seu legado criativo.
A 11.ª edição do festival, encerrada recentemente, dedicou 11 dias à literatura, criação artística e diálogo intercultural, atraindo mais de 100 mil pessoas. Sob o tema “Para Além da Pele”, o evento convidou o público a olhar para além das aparências e a questionar preconceitos. Filipe Daniel destacou a qualidade do festival e a sua afirmação como projeto cultural com impacto no território, mobilizando comunidades e criando valor através da cultura.
A presença do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e do Presidente da República, António José Seguro, que concedeu o Alto Patrocínio, foram assinaladas como sinais de reconhecimento institucional. Destacou-se também a presença de responsáveis políticos internacionais e do antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano.
A edição de 2026 do FÓLIO afirmou a sua diversidade através de várias áreas de programação, reunindo escritores, ilustradores, artistas e públicos de diferentes idades, cruzando literatura com educação, tecnologia e artes visuais. Filipe Daniel agradeceu o contributo das curadorias, equipas municipais, da Óbidos Criativa, parceiros e comunidades locais. O presidente da Câmara salientou que o festival ganha sentido pleno no encontro com os leitores e visitantes, reforçando a aposta na cultura como instrumento de desenvolvimento e valorização do território.




