Davi Kopenawa alerta para perigos na Amazónia e pede ajuda para defender a floresta

Xamã Yanomami, presente no FÓLIO em Óbidos, criticou o consumismo e a exploração de recursos naturais, apelando à preservação da "grande alma da floresta".

Imagem genérica de um xamã indígena a falar num palco, com público desfocado ao fundo, em ambiente de festival literário.
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Imagem genérica de um xamã indígena a falar num palco, com público desfocado ao fundo, em ambiente de festival literário.

O xamã Yanomami Davi Kopenawa alertou, durante o festival FÓLIO em Óbidos, que os Estados Unidos estão a prejudicar a Amazónia e o seu povo para extrair recursos naturais, apelando à solidariedade global para a defesa da floresta.

Davi Kopenawa, xamã Yanomami, denunciou durante uma conversa sobre o livro “A Queda do Céu”, no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, que os Estados Unidos estão a "estragar" as terras e rios da Amazónia e a prejudicar o seu povo com o objetivo de "roubarem ouro, diamantes e outras pedras preciosas". Sentado no chão do palco, Kopenawa expressou sentir-se "muito raiva e revoltado" por tentativas de engano ao seu povo, alertando que "os americanos são muito perigosos para nós todos".
O xamã relatou ter sofrido "muito" na infância, com a perda de família e da "beleza da floresta", devido à invasão de "homens que vêm de longe" sem diálogo com os povos originários. "A queda dos seres está a chegar", alertou, apelando por apoio: "Somos seres humanos e um povo só". Kopenawa criticou o consumismo generalizado, contrastando-o com as necessidades essenciais do "povo originário" – machado, faca e panela – sem "sentido da posse ou obsessão da perpetuidade". "Os milionários, os capitalistas, que gostam de dinheiro, mandam em todos nós, na Europa, no Brasil. Querem tirar todas as materipas que estão na terra. Nós não. Nós choramos com o que ele tirou", afirmou.
Apesar de crente em Deus, Kopenawa mostrou-se crítico da Igreja, afirmando que os Yanomami lutam pela "grande alma da floresta amazónica brasileira", cuidando da "terra que cuida de nós". "A floresta está viva. Só vai morrer se os brancos insistirem em destruí-la", alertou, descrevendo um futuro sombrio com o desaparecimento de rios e a destruição do solo. Estas palavras foram escritas no prefácio do livro "A Queda do Céu", da sua autoria com Bruce Albert.
Kopenawa comentou ainda a atuação de antropólogos, que "captam a sabedoria do povo originário" para "ficar famoso e escrever livros", considerando-o "mercadoria". Contudo, salientou que o livro "A Queda do Céu" é diferente, destinado a professores e alunos para "aprenderem o caminho certo: o conhecimento de como a natureza nasceu". "É uma mensagem para as crianças que não aprendem com os pais que estão fazendo erros", disse.
O xamã expressou o desejo de criar um livro infantil sobre plantas e árvores, enfatizando a necessidade de as novas gerações "cuidarem para manter a floresta viva". "Tem de se escrever sobre a fome. Não é só a água e o peixe que vão morrer. Nós também. Temos de falar sobre a defesa do nosso planeta", sublinhou, lembrando que "Brasil é o centro do mundo, onde a floresta nasceu" e que "o mundo inteiro está junto com o povo originário, para preservar e guardar a nossa terra mãe".
No final da sessão, o público depositou em taças pequenos papéis com palavras de solidariedade como "viver o sonho da terra, natureza, união, alma, cuidar do outro, cuidar o nosso bem comum, empatia, humildade, conhecimento, partilha, respeito, alegria, agir, parar, despojar e Lula". As mensagens foram espalhadas no chão junto à Igreja de Santa Maria, em solidariedade com o povo indígena Yanomami e em defesa da floresta amazónica.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Município de Óbidos – Notícias (20/10/2026)