Em resposta ao isolamento em territórios com comunidades dispersas, projetos como o clube de leitura online “A Ler com a RIBAA” (Rede Intermunicipal de Bibliotecas do Alto Alentejo) têm aproximado a população dos municípios à volta do livro. O projeto promove encontros online anuais onde os leitores podem interagir com autores, contribuindo para quebrar o isolamento.
Ana Luísa Lucas, bibliotecária do Município do Gavião, destacou que, enquanto os clubes presenciais criam um sentimento de pertença, os clubes online promovem uma maior aproximação entre as comunidades dos 15 municípios envolvidos, apesar das distâncias físicas.
Vitória Medalhas, bibliotecária municipal de Monforte, explicou que a limitação da distância foi transformada numa oportunidade através do clube online, com o apoio da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo que disponibiliza a plataforma Zoom. Ela considera o digital uma ferramenta essencial para incluir e estimular a participação ativa dos leitores.
Apesar de não haver contacto físico com os livros, os clubes online conseguem unir pessoas, tornando-as parte ativa. A principal diferença para os clubes presenciais, segundo Ana Luísa Lucas, é que estes últimos funcionam sempre, enquanto o acesso online pode depender da disponibilidade de Internet. Monforte, com três mil habitantes, mantém também um clube presencial há 12 anos, que cativa cerca de 20 leitores, com uma participação regular de 10. Intercâmbios com um clube de Badajoz, Espanha, aumentaram o número de leitores.
Durante a pandemia de Covid-19, o projeto Colo, da Rede Intermunicipal de Bibliotecas do Oeste, foi criado em 2020 para combater o isolamento social. Tânia Camilo, coordenadora da Biblioteca Municipal do Cadaval, e Aida Reis, coordenadora da Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, explicaram que o projeto visa potenciar a proximidade entre leitores e livros. A comunidade online não tem fronteiras, acolhendo participantes de Portugal, Estados Unidos e Londres.
O Colo permite partilhar ideias, conhecimentos e trocar livros, abrindo horizontes. Contudo, a divulgação antecipada de temas e autores pode ser um desafio. Embora o ponto de partida seja sempre um livro, os clubes podem abordar outros temas, como o isolamento ou receitas culinárias, sendo o próximo tema a inteligência artificial.
O Clube de Literatura da Biblioteca da Penha de França, criado em 2011, adaptou-se ao formato online durante a pandemia. Com 15 participantes fixos, considera-se um número ideal. A bibliotecária Ana Correia elabora o guião de leitura, mas incentiva a participação e a expressão de opiniões, mesmo as negativas. A partilha genuína é possível, mesmo sem contacto físico, com participantes de todo o país e até do Brasil e Suíça.
A divulgação dos autores convidados é feita através do 'passa a palavra', devido ao 'bombardeamento de informação nas redes sociais'. Pedro Luís, responsável pela Biblioteca Municipal de Óbidos – Casa José Saramago, destacou a eficácia de colocar cartazes em cafés locais em ambientes rurais.
Uma comunidade de várias nacionalidades criou um clube de leitura em inglês, promovendo a integração e a troca de livros. Este fundo bibliográfico em inglês, francês e alemão foi oferecido pelos próprios membros, servindo de exemplo para outras comunidades estrangeiras residentes.
O Clube de Leitura de Bragança, coordenado por Ivone Brás, funcionou online durante a pandemia, sendo um espaço de afeto e partilha que aborda temas como a morte e viagens, além da leitura. Organizam ainda passeios e jantares literários, funcionando como uma família unida. As inscrições e renovações ocorrem em janeiro.
O entusiasmo gerado pelas partilhas levou à sugestão de criar um clube de leitura online na Biblioteca Municipal de Lagos. Um dos bibliotecários presentes mencionou que dois casais idosos, que se conheceram num clube presencial, não se encontrariam online, destacando o valor do contacto físico.




