Catarina Sobral vence Prémio Nacional de Ilustração no FÓLIO 2026

A artista celebra a distinção como um "instrumento de resistência" na XI Mostra de Ilustração em Óbidos.

Imagem de livros ilustrados com capas vibrantes e arte intrincada, num ambiente de festival literário.
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Imagem de livros ilustrados com capas vibrantes e arte intrincada, num ambiente de festival literário.

A ilustradora Catarina Sobral foi distinguida com o 30.º Prémio Nacional de Ilustração no festival FÓLIO, em Óbidos, considerando a arte um "instrumento de resistência".

A vencedora do 30.º Prémio Nacional de Ilustração, Catarina Sobral, descreveu a distinção como um “instrumento de resistência”, que confere à arte a liberdade de continuar a exercer contestação e inconformismo. A declaração foi proferida após a inauguração da XI “PIM! – Mostra de Ilustração para Imaginar o Mundo”, na Galeria novaOgiva, um dos momentos centrais do FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos.
Catarina Sobral conquistou o prémio pela ilustração do livro “As Pessoas São Esquisitas”, da autoria de Victor Dias de Oliveira Santos. Há dois anos, a mesma artista já tinha sido premiada pela obra “Fantasmas, bananas e avestruzes”, da sua autoria.
A Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) concedeu ainda menções honrosas a Madalena Matoso, ilustradora de “Fantasmas”, e a Catarina Alves, responsável pela ilustração de “Natália Correia: Entre o riso e a paixão”. Ambas receberão 1.500 euros. Catarina Sobral será agraciada com 10.000 euros, acrescidos de 1.500 euros para a Feira do Livro Infantil de Bolonha. “Criámos o prémio para reconhecer o trabalho dos artistas. Trinta anos depois, damos apoio à internacionalização e à promoção dos ilustradores portugueses nas feiras de Frankfurt e de Bolonha”, afirmou Bruno Eiras, subdiretor da DGLAB.
“A estratégia destas políticas públicas é incentivar os hábitos de leitura”, recordou Eiras. “São três décadas de muito talento nacional, para garantir que os cidadãos chegam a este objeto extraordinário [livro]”, acrescentou.
A 30.ª edição do concurso, promovido pela DGLAB, contou com a participação de 61 livros, de 47 ilustradores, que exploraram diversas técnicas e estéticas, incluindo novos autores, “garantindo as gerações futuras”.
A “PIM! – Mostra de Ilustração para Imaginar o Mundo” desta edição apresenta o trabalho de mais de 150 artistas de 20 países. O tema “Para além da pele” foi considerado desafiador pela curadora Mafalda Milhões, que convidou a artista visual, curadora e ilustradora Flávia Bomfim a “costurar sentidos” e a criar instalações. Bomfim, descrita como uma “mulher-cobra que serpenteia por múltiplas disciplinas”, trouxe para a mostra o seu interesse por práticas coletivas e travessias discursivas.
Mafalda Milhões referiu ainda que Ana Pessoa escreve textos que oferecem ao leitor a possibilidade de renascer e ativar os sentidos. “Para pensar além da pele foi preciso olhar para o espelho do mundo, deixar ver o que está perto e o que nos atravessa, pensar a epiderme como um território cheio de vida”, explicou. Acrescentou que a dimensão humana do trabalho só é possível “porque somos uma família imensa. Os livros juntam pessoas com peles diferentes, que discordam, que são capazes de desconstruir e construir outra vez”, disse durante a cerimónia de inauguração.
Flávia Bomfim destacou que a exposição é fruto de “um exercício de diálogo com os artistas”, incentivando os presentes a observar a galeria sob diferentes perspetivas.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Município de Óbidos – Notícias (11/10/2026)