Lagos debate riscos urbanos e resiliência face a catástrofes

Encontro reúne especialistas para discutir prevenção e resposta a tempestades, incêndios e sismos, com foco na experiência pós-tempestade Kristin.

Imagem genérica de uma praça urbana em Portugal com arquitetura tradicional e calçada portuguesa.
IA

Imagem genérica de uma praça urbana em Portugal com arquitetura tradicional e calçada portuguesa.

A cidade de Lagos acolheu um encontro sobre riscos urbanos, reunindo especialistas para debater a prevenção e resiliência face a catástrofes naturais e outros fenómenos.

Em antecipação ao aniversário do terramoto de 1755, Lagos sediou o Encontro sobre Riscos Urbanos, uma iniciativa conjunta da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico, do Centro Europeu de Riscos Urbanos e da Câmara Municipal lacobrigense. O evento juntou especialistas, técnicos e decisores políticos para discutir a crescente problemática dos riscos urbanos.
Foram abordados temas como as alterações climáticas, o risco de tempestades e inundações, as lições da tempestade “Kristin”, o risco de incêndios em centros históricos e no interface urbano-rural, bem como o risco sísmico e de tsunami. O encontro reforçou a necessidade de o conhecimento científico apoiar a decisão política, de fomentar uma cultura de prevenção e de investir na capacitação dos agentes de proteção civil.
Hugo Pereira, presidente da Câmara de Lagos e da APMCH, destacou a maior sensibilização atual para os riscos urbanos, sublinhando a importância da monitorização, preparação e reforço da capacidade de resiliência coletiva.
Mónica Amaral Ferreira, presidente do Centro Europeu de Riscos Urbanos (CERU), recordou a ligação a Lagos através do Prof. Luís Mendes Victor e alertou para a crescente exposição do território português a riscos complexos e interligados. Enfatizou a necessidade de repensar o planeamento, a construção e a gestão do território, bem como os impactos em cascata e os custos dos desastres.
Abel Gomes, em representação da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), sublinhou a evolução dos eventos naturais em áreas urbanas e a importância da antecipação, preparação e resiliência individual.
O primeiro painel, moderado por Ricardo Duarte, abordou o risco de tempestades e inundações, com destaque para os danos causados pela tempestade “Kristin” em 2026, classificada como o evento natural mais catastrófico depois do sismo de 1755. Foram discutidas as vulnerabilidades identificadas, o impacto nas infraestruturas e a necessidade de quatro anos para a recuperação apenas no distrito de Leiria.
Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a recuperação das zonas afetadas pela tempestade “Kristin”, apresentou dados sobre a dimensão dos danos, estimados em mais de 5 mil milhões de euros, afetando mobilidade, habitação e empresas. Ressaltou a dificuldade em quantificar danos e a necessidade de modelos de resposta rápidos e de abordagens multinível.
Paulo Vicente, presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, partilhou lições da tempestade “Kristin”, focando na gestão da crise e na construção da resiliência. Destacou a importância do investimento em prevenção, planeamento, reconstrução resiliente e tecnologia.
Andreia Rodrigues, coordenadora municipal de proteção civil da Câmara Municipal de Coimbra, apresentou o tema “Fenómenos climáticos extremos – quando a prevenção sai a ganhar”, analisando os fatores decisivos para uma resposta eficaz, apesar de imprevistos, e o papel da Proteção Civil na proteção do cidadão.
O segundo painel focou-se no “Risco de Incêndios”, com intervenções de António Bento Gonçalves (Universidade do Minho), que alertou para a dificuldade de controlo dos mega incêndios e a importância do envolvimento cidadão, e Marta Alves Rodrigues (Torres Vedras), que abordou os desafios e vulnerabilidades dos centros históricos.
António Ângelo dos Santos (Aljezur) e Márcio Regino (Lagos) apresentaram o caso prático do incêndio de 2025 no interface urbano-rural, destacando a necessidade de cooperação intermunicipal e de planeamento para territórios de baixa densidade, e a importância da logística e coordenação institucional.
O último painel dedicou-se ao “Risco Sísmico e de Tsunamis”. Carlos Sousa Oliveira (Instituto Superior Técnico) discorreu sobre o que os sismos recentes ensinam, enfatizando a falha na implementação de estudos e a necessidade de uma estrutura de resposta robusta. André Fernandes (Lisboa) apresentou o Sistema de Risco e Alerta de Tsunamis no Estuário do Tejo, e Paulo Santos (Loulé) detalhou o projeto implementado no concelho algarvio, com certificação “Tsunami Ready”.
Pedro Almeida e Márcio Regino (Bombeiros de Lagos) apresentaram o trabalho do Grupo de Salvamentos Especiais (GSE), preparado para diversas operações de resgate com recurso a tecnologia avançada.
Na conclusão, Mónica Ferreira (CERU) destacou a importância de disseminar o conhecimento científico e reforçar a literacia do risco. Paulo Jorge Reis (Câmara Municipal de Lagos) encerrou os trabalhos, notando a evolução da opinião pública e a importância da cultura de risco e resiliência como fatores competitivos.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Câmara Municipal de Lagos (04/11/2026)