Lagos cruza história do 25 de Abril com desafios da habitação

Evento no Bairro 25 de Abril combinou escuta radiofónica histórica com debate sobre o direito à habitação e o legado do projeto SAAL.

Fachada de um edifício municipal em Lagos, com azulejos e varandas tradicionais sob luz solar.
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Fachada de um edifício municipal em Lagos, com azulejos e varandas tradicionais sob luz solar.

A iniciativa "E temos o povo…", realizada no Bairro 25 de Abril em Lagos, revisitou o 25 de Abril e o projeto SAAL, debatendo os desafios atuais da habitação.

No Bairro 25 de Abril, em Lagos, a atividade "E temos o povo…", realizada no final de setembro, reviveu a memória do 25 de Abril e do projeto SAAL, promovendo um debate sobre os desafios da Habitação. A iniciativa, organizada pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, o Arquivo Municipal de Lisboa e a RTP Antena 2, contou com o apoio do município de Lagos nas suas comemorações "Lagos, Liberdade e Democracia".
A iniciativa trouxe a Lagos o documento radiofónico "... e temos o povo...", proporcionando uma escuta coletiva inédita no dia 26 de setembro. O evento contou com a participação do ilustrador António Jorge Gonçalves, que desenhou ao vivo, projetando nas paredes imagens que cruzaram a memória do projeto SAAL com os sons históricos gravados por Pedro Laranjeira, Paulo Coelho e Adelino Gomes. Estes sons permitiram reviver os acontecimentos de 25 de Abril de 1974 e evocar o direito à Habitação, uma promessa consagrada na Constituição da República Portuguesa.
O tema da Habitação juntou em conversa José Bartolomeu (presidente da Associação de Moradores do Bairro 25 de Abril), Manuel Dias (coordenador da Equipa Técnica Local do SAAL Algarve), Miguel Reimão Costa (arquiteto e investigador) e Hugo Pereira (presidente da Câmara Municipal de Lagos). Recordaram-se as origens do projeto SAAL, o seu impacto na construção de áreas habitacionais com participação popular, e discutiu-se a situação atual do Bairro 25 de Abril e os desafios da habitação, num ano que assinala os 50 anos da Constituição e das primeiras eleições autárquicas livres.
O Coronel José Glória Alves partilhou o seu testemunho sobre o 25 de Abril em Lagos, recordando o seu comando no Centro de Instrução de Condução Auto 5 (CICA 5) e o controlo das comunicações na altura.
O Arquiteto Miguel Veloso, filho de José Veloso, figura chave do projeto SAAL, recordou a luta do seu pai para garantir habitação digna a populações marginalizadas e o incentivo à criação de associações de moradores, destacando o papel das mulheres na adesão inicial à ideia.
O Arq. Miguel Reimão Costa explicou a especificidade do SAAL no Algarve, onde as comunidades intervieram na organização dos bairros e a autoconstrução foi o modelo de concretização.
Manuel Dias, coordenador da Equipa Técnica Local do SAAL Algarve, destacou os bairros SAAL da Meia Praia e a Associação de Moradores do Bairro 25 de Abril como exemplos inspiradores de construção de futuro através da habitação.
José Bartolomeu, presidente da Associação de Moradores, reiterou as reivindicações da comunidade para a regularização do bairro e a melhoria das condições habitacionais e do espaço público.
O presidente da Câmara Municipal de Lagos, Hugo Pereira, reconheceu as dificuldades administrativas e as condicionantes de ordenamento do território para a legalização das habitações, mas deixou um sinal de esperança, indicando que a área do Bairro 25 de Abril será mantida e legalizada, em vez de renaturalizada.
A noite foi preenchida com os registos sonoros do 25 de Abril e o desenho ao vivo de António Jorge Gonçalves. O jornalista Adelino Gomes, presente, partilhou vivências, e Francisco Fanhais cantou "Utopia" de Zeca Afonso.
O evento concluiu com a audição de "Os índios da Meia Praia", tema que relata a história desta comunidade piscatória, um marco da conquista do direito à habitação, lembrando os primeiros moradores-construtores e a comunidade lacobrigense.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Câmara Municipal de Lagos (09/10/2026)