O plano, publicado em Diário da República a 21 de outubro, coincide com a realização da COP17 na Arménia, onde Portugal defende maior investimento na biodiversidade. A população de lince-ibérico em Portugal atingiu 394 indivíduos em 2025, um sucesso de conservação que levou a UICN a alterar a classificação da espécie de "Em Perigo" para "Vulnerável".
A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, destacou que a recuperação do lince-ibérico demonstra ser possível inverter a perda de biodiversidade, salientando a importância do conhecimento científico, da cooperação e da continuidade do investimento.
O PACLIP 2026-2030 foca-se na consolidação das populações, melhoria dos habitats e expansão da espécie, com medidas como o reforço da monitorização, redução da mortalidade (atropelamentos), recuperação de coelhos-bravos e melhoria da conectividade ecológica. O plano abrange todo o território continental, com especial incidência no Baixo Alentejo, Algarve e áreas com potencial de expansão como a serra da Malcata.
A coordenação será do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em articulação com diversas entidades. Uma novidade é a proposta de um regime de apoio e compensação por danos associados à presença do lince-ibérico, a apresentar até 31 de dezembro de 2026, para prevenir conflitos com proprietários e agricultores.
O financiamento global é de cinco milhões de euros até 2030, incluindo dotações anuais do Fundo Ambiental e da Águas do Algarve para conservação ex situ. O plano prevê relatórios semestrais e uma avaliação intercalar em 2028.




