Museu Santos Rocha regressa a Bensafrim após 130 anos para reforçar ligação entre Figueira da Foz e Algarve

Novo Centro de Interpretação do Património Arqueológico Rural de Bensafrim assinala reencontro simbólico e abre portas à cooperação.

Museu Santos Rocha regressa a Bensafrim após 130 anos para reforçar ligação entre Figueira da Foz e Algarve

gráfico Arquivo Municipal Biblioteca Municipal Biblioteca de Prai

O Museu Municipal Santos Rocha regressou a Bensafrim, mais de 130 anos após as expedições arqueológicas de António dos Santos Rocha, para assinalar a inauguração do Centro de Interpretação do Património Arqueológico Rural de Bensafrim (CIPAR) e reforçar a ligação entre a Figueira da Foz e o Algarve.

A inauguração do CIPAR, no passado dia 13 de outubro, marcou um reencontro simbólico com a história da investigação arqueológica na região algarvia e abriu novas perspetivas de colaboração entre o Museu Municipal Santos Rocha, a Vicentina - Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste, a A3PR - Associação para a Promoção do Património Rural, as Juntas de Freguesia locais e o Município de Lagos.
Pioneiro da arqueologia portuguesa, Santos Rocha destacou-se pela qualidade da sua análise de terreno, pelo rigor dos seus registos e pela capacidade de interpretar os contextos arqueológicos. Na Fonte Velha, em Bensafrim, prosseguiu trabalhos anteriores, contribuindo para aprofundar o conhecimento de uma importante necrópole e revelar novos dados sobre o passado do território algarvio.
As suas expedições, realizadas entre 1894 e 1906, tiveram também um objetivo fundamental para a arqueologia da Figueira da Foz: encontrar paralelos que permitissem compreender melhor os materiais e contextos arqueológicos identificados, sobretudo em Santa Olaia. O Algarve assumiu, assim, um papel determinante na construção do conhecimento científico que Santos Rocha procurava desenvolver e preservar no Museu da Figueira.
A cerimónia contou com intervenções da chefe da Divisão de Museus e Núcleos, Manuela Silva, e do arqueólogo Marco Penajoia, que abordaram as coleções algarvias conservadas no Museu Municipal Santos Rocha, com particular destaque para os materiais provenientes da Fonte Velha, e o contributo de Santos Rocha, dos membros da Sociedade Arqueológica da Figueira e de figuras locais para a investigação arqueológica no Algarve.
O Museu Municipal Santos Rocha agradece a forma como foi recebido pelo Município de Lagos, na pessoa do seu Presidente, Hugo Pereira, e reconhece o papel dos novos parceiros e amigos deste percurso: a Vicentina - Associação para o Desenvolvimento do Sudoeste, a A3PR - Associação para a Promoção do Património Rural e o arqueólogo Pedro Barros.
Este encontro lançou sementes para um futuro de trabalho conjunto entre a Figueira da Foz e o Algarve, em particular com o concelho de Lagos, assente na investigação, na valorização das coleções e na partilha de conhecimento. O património preservado na Figueira da Foz pode continuar a aproximar comunidades, territórios e gerações, demonstrando que a história iniciada por Santos Rocha permanece viva e que os museus são parceiros fundamentais na construção de novas pontes entre o passado e o futuro.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Câmara Municipal da Figueira da Foz (17/10/2026)