Sob o sugestivo título «Há Qualquer Coisa no Sal», a iniciativa convidou o público a descobrir o salgado numa perspetiva diferente, através de um percurso noturno onde se cruzaram o mistério, a teatralização, a memória coletiva e as tradições daquele território. Entre as 18h00 e as 20h00, o espaço transformou-se num cenário de sons, luzes, sombras e personagens inesperadas, proporcionando uma experiência imersiva que surpreendeu os participantes e revelou uma nova forma de conhecer e interpretar o património salícola.
A aventura começou com os participantes a escreverem os seus medos num papel, seguido do encontro com a figura enigmática da Senhora do Sal. À luz ténue de uma candeia, o grupo avançou pelo salgado, envolvendo-se numa atmosfera misteriosa. Ao longo do percurso, momentos de encenação deram vida a personagens e práticas ligadas à história do território, como marnotos a trabalhar nas salinas e salineiras a entoar cantares tradicionais.
Destaques da noite incluíram a aparição de um arqueólogo que emergiu das águas e a escuta de 'Histórias de Bruxa' junto a uma fogueira. O ritual de lançar os medos à fogueira simbolizou a libertação, seguido de uma surpresa no Armazém do Sal: fotografar as almas.
A paisagem do salgado, com a sua beleza singular iluminada pelo luar e realçada por ambientes sonoros e jogos de luz, foi uma protagonista. A iniciativa, concebida pelas equipas do Museu Municipal, Núcleo do Sal, Núcleo do Mar, Quartel da Imagem e Biblioteca Municipal, contou com a participação do Rancho Folclórico As Salineiras de Lavos e da contadora de histórias Maria José Carvalho. O sucesso da proposta demonstrou o potencial do Núcleo do Sal para novas formas de criação cultural.




