Presidente da Câmara de Ponta Delgada exige nova cadeia e mais justiça para os Açores

Pedro Nascimento Cabral alerta para a urgência de uma nova prisão e critica a insuficiência de respostas do Estado nas ilhas.

Fachada da Câmara Municipal de Ponta Delgada, um edifício histórico com arquitetura portuguesa sob um céu azul.
IA

Fachada da Câmara Municipal de Ponta Delgada, um edifício histórico com arquitetura portuguesa sob um céu azul.

O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, apelou a uma solução urgente para o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada e exigiu maior compromisso estatal com a justiça nos Açores, criticando a insuficiência de respostas devido à insularidade.

O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, defendeu uma resposta urgente para o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada e exigiu um maior compromisso do Estado com as infraestruturas, os recursos humanos e os serviços da Justiça nos Açores, considerando que a condição insular da Região não pode justificar respostas públicas insuficientes.
Estas posições foram expressas na sessão de encerramento da Conferência “Direitos Humanos nos Estabelecimentos Prisionais: estado atual em Portugal, reflexões e perspetivas”, realizada no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, organizada pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses.
Cabral congratulou a organização pela iniciativa, sublinhando que a privação da liberdade não deve implicar a perda da dignidade humana nem de outros direitos fundamentais.
A situação do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada foi uma das principais preocupações. O autarca referiu a Resolução do Conselho de Ministros n.º 119/2023, que reconhece o edifício como o mais antigo do país e inadequado para ampliação ou recuperação. Questionou a demora na concretização de uma solução estrutural que assegure condições dignas a reclusos e profissionais.
“

"Há décadas que o Estado sabe que a cadeia de Ponta Delgada não reúne as condições mínimas exigíveis para assegurar a dignidade humana de quem se viu privado da sua liberdade ou de quem nela trabalha! E se o Estado reconhece que o edifício chegou ao fim da sua vida útil enquanto estabelecimento prisional adequado, então a pergunta que temos de fazer é muito simples: o que estamos à espera?"

Pedro Nascimento Cabral · Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada
O Presidente da Câmara alertou para as consequências da sobrelotação e limitações das instalações na privacidade, dignidade e reinserção social dos reclusos, bem como nas condições de trabalho dos guardas prisionais, técnicos, psicólogos, profissionais de saúde, advogados e outros funcionários. Defendeu que a execução das penas deve respeitar direitos fundamentais e proporcionar condições de recuperação e reintegração.
A preservação dos vínculos familiares dos reclusos açorianos foi outra preocupação central. Cabral chamou a atenção para as dificuldades acrescidas pela transferência de reclusos para o continente ou outras ilhas, como custos de deslocação e obstáculos às visitas, defendendo que as políticas prisionais devem considerar estas consequências e as especificidades geográficas e sociais dos Açores.
“

"Quando uma pessoa é afastada da sua família não por decisão judicial, mas pela incapacidade estrutural do sistema prisional existente nos Açores para a acolher, estamos perante uma consequência particularmente grave, que se soma à própria pena."

Pedro Nascimento Cabral · Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada
A intervenção abordou também as condições de funcionamento de outros serviços estatais em Ponta Delgada, como os tribunais e a Polícia de Segurança Pública (PSP). Cabral defendeu investimento na manutenção e requalificação de edifícios públicos para garantir instalações dignas e seguras.
Relativamente à PSP, manifestou preocupação com a insuficiência de efetivos policiais nos Açores, defendendo que os recursos humanos devem corresponder às necessidades de segurança da população.
No setor da Justiça, Cabral salientou a necessidade de reforçar os recursos humanos dos tribunais, com atenção à falta de funcionários judiciais e à carga de trabalho dos magistrados. Defendeu uma política de recrutamento e fixação de profissionais que considere as dificuldades específicas da Região Autónoma dos Açores.
“

"Não podemos aceitar que a insularidade seja, uma vez mais, utilizada como justificação para uma menor capacidade de resposta. Esta tem de funcionar precisamente ao contrário!"

Pedro Nascimento Cabral · Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada
A criação de um Centro Tutelar Educativo nos Açores foi apontada como necessidade. O autarca alertou para as consequências do encaminhamento de jovens para estruturas no continente, longe das suas famílias. Defendeu que a Região disponha de uma resposta adequada que concilie acompanhamento especializado com a preservação dos vínculos familiares e comunitários.
“

"Há direitos que não podem depender da rentabilidade, e há deveres do Estado que não podem ser condicionados pelo preço que custa cumpri-los."

Pedro Nascimento Cabral · Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada
Cabral defendeu que as políticas públicas nacionais reconheçam as particularidades dos Açores e garantam igualdade no acesso à Justiça e aos serviços do Estado, pois a insularidade e a ultraperiferia exigem respostas ajustadas à realidade regional.
“

"Portugal não termina na sua plataforma continental e, naturalmente, também não termina em Lisboa. Portugal está aqui. Está nesta cidade, está nesta ilha, está neste arquipélago."

Pedro Nascimento Cabral · Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada
O autarca concluiu defendendo que o compromisso do Estado se traduza em medidas concretas, com planeamento, investimento e execução, para garantir condições dignas no sistema prisional, melhores meios para os profissionais da Justiça e respostas adequadas às necessidades dos cidadãos dos Açores.
A Conferência “Direitos Humanos nos Estabelecimentos Prisionais: estado atual em Portugal, reflexões e perspetivas” reuniu magistrados, advogados e especialistas, promovendo reflexão sobre a proteção dos direitos fundamentais das pessoas privadas de liberdade e os desafios do sistema prisional português.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Câmara Municipal de Ponta Delgada (09/10/2026)