Questionários podem melhorar segurança de medicamentos em crianças e adolescentes

Investigadores da UP propõem aplicação sistemática de questionários para avaliar o bem-estar de jovens durante tratamentos médicos.

Imagem genérica de uma mão infantil a segurar um questionário médico, com equipamento médico desfocado ao fundo.
IA

Imagem genérica de uma mão infantil a segurar um questionário médico, com equipamento médico desfocado ao fundo.

Uma equipa de investigação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) propõe a aplicação sistemática de questionários para avaliar o bem-estar de crianças e adolescentes durante tratamentos médicos, como quimioterapia ou com imunossupressores.

A investigação, liderada pela FMUP e publicada na revista Frontiers in Pharmacology, visa melhorar a monitorização da segurança de medicamentos em populações pediátricas. Renato Ferreira da Silva, autor principal do estudo, destaca que "as crianças não são adultos em miniatura" e que a forma como respondem aos medicamentos varia significativamente com a idade e o desenvolvimento.
Muitos medicamentos utilizados em crianças foram inicialmente estudados em adultos, com dados de segurança limitados para a população pediátrica. O grupo de investigadores sugere a utilização de questionários estruturados, que podem ser respondidos pelas próprias crianças ou pelos seus cuidadores, para caracterizar melhor a frequência, gravidade e impacto dos sintomas em atividades quotidianas.
Estes instrumentos, designados PROM (Patient-Reported Outcome Measures), complementariam os sistemas tradicionais de farmacovigilância, que são maioritariamente passivos e dependem da notificação espontânea. A recolha estruturada de informação pode melhorar a qualidade dos dados e identificar sintomas relevantes em tratamentos de maior risco.
Renato Ferreira da Silva reconhece limitações práticas, como o tempo das consultas, mas acredita que a evolução passará por uma melhor ligação entre os locais de cuidados, registos clínicos e unidades de farmacovigilância. A aplicação será dirigida a contextos onde a monitorização de reações adversas é particularmente relevante.
O trabalho conta com a colaboração de investigadores da FMUP, da Unidade de Farmacovigilância do Porto, da Unidade de Investigação RISE-Health, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Noticias UP - Universidade do Porto (21/10/2026)