A aplicação de Inteligência Artificial (IA) e técnicas sofisticadas de processamento de imagem promete aprimorar a avaliação de feridas malignas em pacientes com cancro avançado, oferecendo um complemento aos métodos clínicos tradicionais. Esta abordagem é o cerne de uma investigação realizada no âmbito de uma dissertação de mestrado, supervisionada pelos docentes Filipe Pereira e Joaquim Gabriel Mendes, do Departamento de Mecânica da FEUP.
O trabalho, conduzido por Duarte Nuno Silva Fonseca, focou-se em explorar o potencial da IA e do processamento avançado de imagem como ferramentas de apoio na avaliação de feridas malignas. Esta condição, que pode afetar doentes com cancro em estágios avançados, apresenta desafios significativos no contexto dos Cuidados Paliativos.
A dissertação, intitulada “Análise e processamento de imagens visíveis e termográficas de feridas malignas em doentes com cancro avançado em Cuidados Paliativos”, estabeleceu uma metodologia para a análise integrada de imagens visíveis e termográficas. O objetivo é converter informação visual em dados quantificáveis, enriquecendo assim a avaliação clínica.
A combinação destas duas fontes de informação permite analisar diferentes características das feridas e identificar padrões cruciais para a sua caracterização e monitorização.
Este projeto de investigação foi distinguido com o Prémio de Mestrado da Ordem dos Engenheiros – Região Norte 2026, no valor de 1.000 euros. A pesquisa contou também com o apoio de Jorge Marinho e Maria Paula Costa e Silva, médicos do IPO do Porto, cuja colaboração foi fundamental para alinhar o desenvolvimento tecnológico com as necessidades clínicas reais.
A aplicação de IA e processamento de imagem na avaliação de feridas malignas insere-se numa área interdisciplinar em expansão, que une engenharia, ciência de dados e saúde. O desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas nesta área tem o potencial de complementar os métodos de avaliação existentes e apoiar a tomada de decisão clínica.




