A obra vencedora, intitulada “Homo Fluens”, inspirou-se na Caneca Inglesa da Real Fábrica de Vidros de Coina (1719-1747), peça do acervo do MNSR. Em vez de replicar o objeto histórico, André da Loba focou-se no gesto primordial da sua criação: o sopro que molda a matéria. A figura de Homo Fluens representa o criador que, através do seu próprio fôlego, inventa e transmite conhecimento.
A composição estabelece uma analogia entre o mestre vidreiro e o músico de sopro, ambos utilizando o ar para dar forma a algo novo. A textura marmoreada da obra foi manipulada na água apenas pelo sopro do artista, transpondo o gesto original para a criação gráfica contemporânea.
André da Loba, ilustrador e artista plástico de renome internacional, desenvolve uma obra multidisciplinar. Colaborador de publicações como The New York Times e The New Yorker, já foi distinguido pela Society of Illustrators de Nova Iorque e pela Feira do Livro Infantil de Bolonha. Em 2025, venceu o Prémio Nacional de Ilustração. Atualmente, está radicado no Porto e é representado pela Galeria Cruzes Canhoto.
O Programa Afinidades, uma parceria estratégica entre o MNSR e a Associação Quarteirão Criativo, visa aproximar o museu da sua vizinhança e promover o diálogo entre o património histórico e a criação contemporânea. A terceira edição incluiu workshops, visitas comentadas e a edição de um catálogo.




