“"A principal limitação do nosso estudo é que ainda não dispomos de um modelo que explique de que forma os fatores específicos de cada pessoa, os fatores ambientais e a genética podem influenciar os coeficientes que relacionam os diferentes grupos de microrganismos com a capacidade de invasão por microrganismos patogénicos e com a saúde."
Investigadores do Técnico estudam relação entre microbioma vaginal e infeções
Estudo com modelo matemático identifica microrganismos protetores e desequilíbrios que podem levar a doenças.
Por Mariana Correia Lopes
••2 min de leitura
IA
Imagem genérica de representação abstrata de investigação sobre microbioma vaginal com elementos de gráficos matemáticos.
Uma equipa do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, liderada por Erida Gjini, investiga como a composição do microbioma vaginal afeta a capacidade de impedir a entrada e multiplicação de microrganismos prejudiciais.
A investigação, cujos resultados da primeira fase foram publicados em agosto na revista científica Microbiome, utiliza um modelo matemático para integrar dados clínicos com a biodiversidade microbiana. O objetivo é identificar os microrganismos e as suas interações associadas a um microbioma saudável e protetor, ou a desequilíbrios que favoreçam doenças.
O modelo avalia a capacidade de resistência de um microbioma à invasão por microrganismos potencialmente prejudiciais, considerando a diversidade e proporção dos seus componentes. Este conceito pode ser aplicado a outras instâncias do microbioma ou a sistemas biológicos multi-espécies.
O estudo conta com a participação de Tomás Freire, estudante do Programa Doutoral em Matemática do Técnico, e Marina Garcia-Romero, estudante de mestrado que integrou o Técnico em 2025 através de um programa de mobilidade.
Alterações no microbioma vaginal estão associadas à vaginose bacteriana e a uma maior suscetibilidade a infeções. Compreender a resistência de certas comunidades microbianas poderá, no futuro, ajudar a encontrar melhores formas de manter ou recuperar um microbioma saudável, contribuindo para a saúde reprodutiva.
Como próximo passo, a equipa pretende aplicar o mesmo modelo a conjuntos de dados mais abrangentes, para identificar padrões de variação associados à idade, alimentação, comportamentos ou genética de cada pessoa.
O Centro de Matemática Computacional e Estocástica (CEMAT), associado ao Técnico, desenvolve investigação em matemática e modelação computacional aplicada à biomedicina, procurando compreender doenças e processos biológicos complexos, como infeções, resistência a antibióticos e cancro, e desenvolver modelos preditivos para novas estratégias de prevenção e tratamento.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: Instituto Superior Técnico (ULisboa) (26/10/2026)



