A investigação, publicada no Journal of Personality and Social Psychology, analisou como a eliminação completa de um problema, mesmo que a mudança seja menor, pode ser mais valorizada do que uma redução substancial que o mantém presente. Isto ocorre especialmente quando o problema toca num valor que a pessoa considera inegociável.
Ao contrário da avaliação tradicional do progresso baseada na diferença absoluta entre o ponto de partida e o de chegada, os investigadores observaram que, em situações de "valores protegidos", o resultado final pode ter um peso desproporcional. Uma redução grande pode ser insuficiente se o problema persistir, enquanto uma mudança menor que o leva a zero pode ser vista como especialmente importante.
Em experiências que envolveram o consumo de carne e questões políticas como imigração ilegal e posse de armas, os participantes mostraram maior sensibilidade a mudanças que levavam a situação a "zero" quando esta tocava num valor que consideravam protegido. Por exemplo, vegetarianos foram mais sensíveis a uma redução de consumo de carne para zero do que a uma redução parcial grande.
Os autores, Tobias Vogel e André Mata, destacam que esta perceção do progresso não depende apenas da quantidade da mudança, mas também do significado que atribuímos ao resultado. Esta investigação tem implicações para a compreensão de debates sobre problemas sociais, ambientais e comportamentais, onde o progresso é muitas vezes gradual.




