O documento descreve a caracterização clínica e laboratorial da atividade gripal, integrando a vigilância clínica e laboratorial, com reforço na monitorização de outros vírus respiratórios como o SARS-CoV-2, vírus sincicial respiratório (RSV), coronavírus e enterovírus. As atividades são desenvolvidas pelo Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e Outros Vírus Respiratórios do INSA, em colaboração com a Direção-Geral da Saúde e redes de médicos e laboratórios sentinela.
Na época 2025/2026, destacou-se a circulação precoce do vírus da gripe em outubro de 2025, com o período epidémico a ocorrer em dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Foram detetados os subtipos de influenza A: A(H3N2) e A(H1N1)pdm09, com o vírus B a ser detetado esporadicamente. Identificou-se uma nova variante do A(H3N2) pertencente ao subclade K, distinta dos vírus da vacina de 2025/2026.
Os vírus A(H3N2) e A(H1N1)pdm09 mostraram características antigénicas e genéticas semelhantes aos vírus da vacina recomendada para 2026/2027. Os vírus respiratórios mais frequentes foram o rinovírus, RSV, adenovírus e metapneumovírus, com maior deteção em crianças dos 0 aos 14 anos e em adultos com mais de 65 anos.
O relatório aponta para um período de excesso de mortalidade entre as semanas 49/2025 e 05/2026, afetando maioritariamente o grupo etário acima dos 85 anos. Doentes internados em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) tinham frequentemente 55 anos ou mais, com doenças crónicas subjacentes como cardiovasculares, obesidade, diabetes e doença pulmonar obstrutiva crónica.
O vírus da gripe A(H5N1) é considerado uma ameaça, embora ainda não tenham sido detetados casos em humanos em Portugal. Os resultados do relatório são considerados úteis para o planeamento de medidas de prevenção e controlo de vírus respiratórios.




