O seminário de pós-graduação “Que Futuro para Professores: Que Profissão? Que Conhecimento? Que Formação?”, organizado pelo IE-ULisboa no âmbito da Cátedra UNESCO «Futuros da Educação», contou com a presença de cerca de 200 participantes. Entre eles, docentes, investigadores, doutorandos, mestrandos e estudantes da formação inicial de professores da ULisboa.
António Nóvoa, titular da Cátedra, Professor Emérito do IE-ULisboa e antigo Reitor da Universidade de Lisboa, defendeu que a crise atual da profissão docente se deve à erosão da auctoritas, a autoridade que advém de ser autor do próprio trabalho. Nóvoa sublinhou a importância de recuperar a autonomia dos professores e reforçar a sua capacidade de criação e intervenção, para além das reivindicações materiais.
Baseando-se no seu livro recente “Viagem pelas Escolas de Portugal” (2025), Nóvoa identificou quatro ameaças à profissão: visões futuristas que preveem um futuro sem escolas e professores; interferência externa na autonomia pedagógica; o tecnicismo que reduz os professores a meros aplicadores de materiais; e a sobrecarga administrativa que prejudica o trabalho pedagógico.
A solução passa por afirmar os professores como autores do seu trabalho, conhecimento, formação e políticas educativas. Isto implica reconfigurar tempos e espaços escolares, valorizar o “conhecimento clínico” da prática, assumir um papel central na formação inicial e contínua em parceria com as universidades e a investigação, e dar voz aos professores no debate público sobre a missão da Escola.
Na abertura, Estela Costa, Diretora do IE-ULisboa, destacou a necessidade de um novo contrato social para a Educação, proposto pela UNESCO, e o papel da Cátedra na cooperação Norte-Sul, reforçando a parceria entre a Universidade e as escolas na formação de professores.




