A sessão de abertura contou com a participação do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, da vice-presidente da Câmara Municipal de Leiria e vereadora da Cultura e Educação, Anabela Graça, do comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, e da subcomissária, Sara Brighenti.
Anabela Graça agradeceu a escolha de Leiria para acolher o encontro, destacando o trabalho desenvolvido na construção de novas relações entre a educação, a cultura e os territórios. "Em Leiria, temos procurado traduzir esta visão em projetos continuados, partindo de uma convicção: a educação e a cultura são dimensões inseparáveis no desenvolvimento humano", afirmou. A autarca sublinhou o envolvimento de todas as escolas do concelho no Plano Nacional das Artes e no Plano Nacional de Cinema, bem como atividades semanais de música e dança para crianças dos jardins de infância públicos.
A vereadora salientou o papel dos mediadores culturais e artísticos como "agentes fundamentais na aproximação da cultura às pessoas". "O mediador é um elo fundamental. Agrega públicos e descodifica o que parece inacessível, para que o olhar crítico e o prazer da arte sejam de todos", salientou. Anabela Graça reafirmou a importância de construir um território onde a cultura seja um direito de todos, permitindo não só usufruir, mas também participar na sua construção.
O Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, destacou o trabalho da equipa do Plano Nacional das Artes como exemplo de trabalho em rede. "Instituir uma rede reclama um especial cuidado: o de lhe dar forma sem lhe retirar a liberdade", afirmou, manifestando confiança no equilíbrio a encontrar pelos participantes. Recuperou a ideia de "curar o comum", associando-a ao trabalho dos mediadores na aproximação das pessoas às artes e ao património, e na criação de espaços de participação e pertença.
Alberto Santos considerou que a Rede M poderá dar maior reconhecimento público ao trabalho dos mediadores, assegurando o compromisso do Governo em acompanhar este percurso. A Rede M pretende valorizar e dar visibilidade aos profissionais, reforçar o seu reconhecimento e promover a sua participação nas políticas culturais.
A criação da rede resulta de um processo de auscultação iniciado com um inquérito nacional sobre práticas, condições de trabalho, necessidades e expectativas dos profissionais. Seguiu-se um primeiro encontro em abril, com 572 participantes, que identificou cinco áreas prioritárias: formação, visibilidade, reconhecimento e integração estratégica, condições de exercício profissional e afirmação de uma voz coletiva.
O programa do dia inclui sessões sobre os resultados do inquérito, o futuro da mediação cultural e artística e possíveis modelos de constituição formal da Rede M. À tarde, os participantes integram grupos de trabalho sobre a organização da rede, comunicação, reconhecimento nas instituições e formação contínua. As propostas deverão definir os próximos passos da Rede M, integrada no Plano de Ação Estratégico do Plano Nacional das Artes 2024–2029.




